Dizem, muitas vezes se ouve dizer, que só de dá valor ao que se tem quando se perde. Afinal das contas até parece que a frase tem sentido e é real. Quantos de nós não vivenciámos já alguma experiencia em que aplica a frase dita?
Será efetivamente a falta de atenção para o que realmente nos rodeia, que de tão simples e banal, pode ter uma significância imensa, por estar sempre á disposição, por darmos como adquirido, desvalorizamos, o que salvo melhor opinião estará errado. Devemos mesmo dar valor ao que realmente é importante. Muitas vezes não são bens materiais, são outro tipo de “bens” que possuímos ou que nos rodeiam, e a esses sim deveremos dar valor, sempre.
Numa ótica de gestão organizacional, o fenómeno é idêntico e o alerta também se aplica. Com isto comento dois aspetos. O primeiro será o exemplo de quem está desesperadamente à procura de um novo posto de trabalho, para um outro departamento e/ou divisão, pois passa a vida a reclamar de tudo o que hoje em dia o rodeia.
O chefe, o mau feitio dos colegas, as pressões que sofre naquele cargo, a falta de atitude de quem toma decisões, ou seja a falta de autonomia, e por ai adiante. Bem, estará este individuo em perfeita consciência de todos os aspetos de reclamação? Não se enquadrará nada de positivo em todo o rol de momentos de trabalho naquele posto ou posição? Muitas vezes o que se passa é a chamada “fuga para a frente”, ou seja quer-se a qualquer custo sair daquela função para mudar.
Só porque sim e sem se analisar o terreno que se procura a seguir. Ora isto pode dar mau resultado e, só á posteriori se dá valor ao posto, colegas, departamento e/ou seção onde se estava antes…por vezes irreversível o retorno.
Não quer dizer que as vezes a saída, só porque sim, não dê resultado, pois há momento de sorte, mas…..pelo sim pelo não a ideia passará por refletir e medir os pós e contras da situação, enfim, nem tudo pode ser mau no local onde estamos afetos no momento. Há que lembrar que, como diz o ditado “o Sol quando nasce é para todos”, as vezes temos azar e calha-nos o lugar á sombra. O que dizer, o Sol está lá, mas….
O segundo ponto a referir, nunca será “lamurias” aos olhos do comum dos mortais. Sim, refiro-me a quando quem de direito permite a saída de uma organização de puro, eficiente, capaz e que mais se pode adjetivar, capital humano, Deixa que a saída aconteça, substitui a pessoa, desvalorizando o fato, coloca outra pessoa no mais curto espaço de tempo para que a sua posição de superioridade não fique posta em causa, e depois…
Ai! Ai! Os resultados nunca mais voltam ao que eram, a performance numa mais estabiliza e afins comentários. Claro que este tipo de “lamechices” só se ouvirão na leitura de pensamentos, para quem consegue tal fato, mas que os há, isso há.
O que dizer. nem num caso nem noutro se deve desvalorizar os verdadeiros “assets” que se tem em redor. Todos temos maus dias, e os colegas e chefes, diretores e afins dirão o mesmo. É algo transversal a uma estrutura organizacional, empresarial, académica ou ate social….Por vezes apanhamos cada situação de má disposição em plena praça publica que apetece fugir para longe.
Em resumo, se planeamos o sucesso da nossa carreira ou da nossa instituição deveremos analisar fatos e situações sem as personalizarmos. Com isto olharemos para tais situações como casos meramente profissionais e não como sendo algo contra nós. Por outro lado ao não personalizarmos os fatos, permite-nos observar sempre de outra perspetiva, assim se um dia a decisão tiver de ser tomada, seja para deixar ir um verdadeiro elemento considerado Capital Humano, ou seja para nós tomarmos a decisão de “apanhar o próximo comboio” , a mesma será tomada em consciência e de forma ponderada…
Dormiremos descansados e tranquilos com certeza.
Refletir com uma certeza porém. A agua tem sempre a maior flexibilidade, ultrapassa qualquer situação e transpões as mais resistentes barreiras. Algo simples que a maioria de nós têm ao alcance, atrevo-me a dizer que a desvalorizamos…..mas se falhar…já não passamos sem ela e sentimos realmente a sua falta. Quantas vezes parámos para ouvir e entender o simples ato de lavar as mãos? Por certo será um ato considerado tão banal que não sabemos sequer que som faz a agua a passar entre os nossos dedos das mãos enquanto se junta o sabonete e se perfaz o simples mas muito elucidativo ato de “lavar as mão”.
Como diria alguém : “Água, muita Água…”



