Efetivamente há situações na vida que nos dão que pensar. Hoje em dia o Mundo é global. Não deverão existir fronteiras de informação, a Web está ai e com ela toda a tecnologia de ponta no que diz respeito à ligação, mais ou menos afetuosa, entre pessoas e instituições ou empresas. Qualquer um (no geral) a qualquer momento se “liga à net” e fica conectado com o mundo. Partilha-se, comenta-se, expressam-se ideias, comentários, escreve-se acerca dos mais variadíssimos temas, enfim, este é o mundo virtual onde vivemos.
Nem sempre foi assim. Lá se vai o tempo da carta manuscrita, da ida aos correios locais, da ida ao posto mais próximo para fazer uma chamada telefónica e afins de exemplos poderão retratar a evolução (sim isto foi evolução embora com os seus pós e contras) dos tempos. Mais facilidade, maior flexibilidade e menos tempo necessário para passar ou transmitir informação.
Mas há coisas que são intemporais, e que serão sempre, geograficamente inseparáveis, referindo-me a alguns valores humanos como o respeito e a amizade. Nunca se deixou de nutrir sentimentos como os referidos por as pessoas estarem longe. Nunca se pôs em causa uma amizade ou o respeito pela pessoa por estar ausente geograficamente.
Essa é a mais valia do homem sobre a maquina, tem sentimentos e na maioria dos casos sabe como os gerir.
Embora que definições e conceitos de respeito ou de amizade nos levassem por certo a uma dissertação, não será o objetivo no momento. Amizade por norma relaciona-se com sentimentos expressos como apego, fraternidade, afeto, benevolência, amor, ternura ou até simpatia. Por seu turno, Respeito está relacionado com sentimentos como afeição, estima, consideração apreço, reverência e saudação em certos casos e só para dar alguns exemplos. Ora todos os referidos, de uma maneira ou de outra, se têm ou não têm por alguma pessoa ou instituição. Também se podem criar, fortalecer ou solidificar ao longo e com o passar do tempo, mas por norma não se perdem, nem se desvanecem com o tempo ou com a distância.
Há amizades e respeito por terceiros que só vemos de quando em vez, com quem só estamos de tempos em tempos, mas na realidade, se for caso: “estão lá para nós” isso é amizade na sua essência. Não se necessita da presença física na mesma localidade, na mesma rua ou ate no mesmo prédio. Quando há (amizade e respeito) poderemos viver a Kms de distancia que não se se perdem estes valores.
Com isto, e reportando-me á vida profissional, académica ou empresarial, muitas vezes não damos sinais reais do verdadeiro respeito e amizade que temos ou nutrimos pelos colegas, chefias ou quem seja. Isto deve-se ao fato de que, queremos estar focados nas nossas responsabilidades, nas nossas tarefas, desempenha-las o melhor que sabemos e podemos, até poderemos interagir com as visadas pessoas, mas lá estamos nós focadíssimos e a não enaltecer sentimentos que poderão ser inoportunos para ambiente geográfico. Eis que, quando oportuno, e por norma fora do ambiente formal, as pessoas que eventualmente tem, tiveram e continuaram a ter respeito e amizade mutua, celebrarão isso mesmo. Em sede própria e tempo oportuno.
Grave é quando se passam todas as barreiras do formalismo e se passa de um conceito de amizade para um conceito de partidarismo, ou seja…tudo o que se faz tem como objetivo tirar partido daquele por quem, dizemos , ter amizade ou respeito. MOMENTO, sff. Esse não é tópico para hoje. Uma vez mais a questão que se me põe é: “como é que esse tipo de pessoas consegue dormir de noite? “ou mais profundo, ainda “como é que essas pessoas conseguem encarar seja quem for?” enfim…pois não sei.
No seio das empresas, das academias, uma situação é recorrente. Haver “grupos” de pessoas que se vão mantendo mais juntas, convivendo mais vezes, mas pelos mais diversos motivos sejam eles temas de investigação ou estudo na vertente académica, ou tópicos, projetos, interações profissionais inerentes às responsabilidades de cada um…isso é fato. O que deveria ser também um fato era a existência de respeito mutuo, ou ate amizade e …muitas vezes isso não acontece, resultado de um processo de partidarismo, politiquice, ou outros nomes mais vanguardistas que queiram considerar…
Já referi com certeza em outras ocasiões, na vida laboral, profissional ou no seio da academia, o objetivo não é criar amigos. Não são esses os nossos “targets” no nosso “BSC”, mas como em tudo e sempre na vida, se olharmos para as pessoas em primeira instancia como seres Humanos e não como ferramentas de trampolim para o próximo nível como nos jogos de consola desta geração tecnológica…tudo seria muito mais transparente, real e até efetivo. Os resultados no geral teriam um cariz de equipa, de objetivo entendido e atingido, e não de .. “OK mais um nível do jogo”.
Concordo com a frase dita (proverbio que seja) “Nunca se deve julgar um livro pela capa”. Por vezes nos alfarrabistas conseguem-se grandes manuais de conhecimento.



