“Castelos de Cartas”

IMG01750-20130709-1908Ter ou não ter eis a questão! Um tópico bidirecional, isto é, funciona em duas direções, comumente opostas. Efetivamente por um lado passaram muitos anos em que as gerações anteriores tinham o foco na posse. Posse com intuito de passar os bens de gerações em gerações. Foi assim com a Monarquia, no que respeita a conquistas territoriais e sucessões de tronos, com a Burguesia, na que respeita posse de meios, controlo e ostentação que por sua vez passava de gerações, e até com o Povo no geral se passou o mesmo, tentando contruir algum património para deixar aos seus.

Por outro lado existe também a perspetiva atual, ou mais recente, em que, no geral e devido ao mencionado anteriormente, já não há o foco na posse mas sim na utilização. Por um lado utilização do que lhes foi deixado, por outro, os tempos mudaram e a sociedade de hoje tem preocupação em sobreviver o dia a dia.

Posse no sentido de propriedade significará o estado de algo que está a ser possuído por alguém ou que esse alguém guarda consigo, representará o fato ou situação de se possuir, manter ou reter algo. Alguém se apodera, se apossa de algo. Qualquer das dos aspetos mencionados, refletem bem no abstrato os mais variados exemplos que poderíamos comentar. O ter, possuir, um carro, uma casa, dinheiro ou qualquer outro bem material até mesmo ao exemplo de possuir um negócio ou empresas.

O termo “Posse”, pode estar também associado a privilégio, empossamento ou em alguns casos monopólio. Costumamos ouvir na gíria, que alguém possui o monopólio de algo. Mas nos dias que correm, arrisco-me a dizer, que a mentalidade das novas gerações não está voltada para as preocupações da posse como absoluto termo. Focada sim na utilização.

Já não existe (generalizando) a preocupação de possuir o registo da viatura em seu nome, pode simplesmente fazer contratos de aluguer ou ate a questão tão importante como a habitação que no passado era para muitos um objetivo crucial, a posse de uma casa com registo em conservatória e tudo o que tinha direito….hoje em dia, vive-se onde é necessário, devido `as circunstancias logísticas dos empregos, escolas das crianças etc…

Desta forma o aluguer torna-se na solução mais pratica pois pode-se mudar sem haver preocupação negocial, desvalorização do imóvel e outros inerentes aspetos. Enfim, referir que hoje em dia se vive o dia a dia, adaptando-se o cidadão à sociedade e às necessidades impostas por esta.

Diferentes gerações, diferentes perspetivas, diferentes formas de estar. O ter ou não ter, na sua essência terá o seu quê e não é objetivo fazer juízos de valor ou haver partidarismos por qualquer uma das partes.

Uma outra realidade, a profissional, a empresarial, mostra-nos um desejo obstinado, as vezes quase doentio, por parte do empregado em querer escalar para o topo, do empresário em querer agregar mais empresas, dominar mais setores…e até a nível académico se nota a vontade de estar presente em mais áreas de conhecimento. Efetivamente uma realidade diferenciada do paradigma de Não posse de hoje em dia no que respeita a bens materiais.

Na vida de carreira, nota-se uma corrida desenfreada ao topo, as vezes sem se olhar para o “transito” existente tentando-se ultrapassagens desmedidas e tomando-se atitudes que por certo não deixam antepassados orgulhosos. Mas o que leva as mais recentes gerações (no geral) a terem uma mentalidade de consumo, isto é, de não posse mas sim utilização, quando se trata de bens materiais e por outro lado haver esta obsessão na corrida pelo poder hierárquico ou dominante quando falamos em vida profissional, académica ou empresarial?

A resposta pode estar, salvo melhor opinião, na moda da ostentação que se vem assistindo ao longo dos últimos tempos. O chamado “status” social. O que apresenta como tendo, como sendo. Aquilo que se atinge profissionalmente, a importância que se “tem” perante a sociedade, o ciclo profissional, académico ou empresarial. Como referi não se fazem juízos de valor, mas sim constatam-se fatos de uma forma generalista.

A elação a tirar de tudo isto é o valor que se dá as coisas. Mesmo uma pessoa tendo pouco e tendo esse pouco sido conseguido honradamente, com trabalho, humildade, esforço e sacrifico, esse pouco representará muito pois dar-se-á valor a cada passo dado. O contrario não acontece. Quando tudo se consegue de bandeja, não se valoriza o que se têm ou o que se conseguiu e desta forma a vida corre sempre sem reflexão das dificuldades que supostamente existiram em cada passo dado da caminhada.

Já alguém dizia que o caminho para o sucesso se faz pelas escadas. A paragem para descansar e ganhar folgo para os próximos degraus deve ser alimentada por uma reflexão de onde se veio, onde já se chegou e para onde ainda se deseja ir. Se houver sempre humildade e consciência de onde se veio e onde se está o “para onde” será respondido por inerência.

Os Castelos também se desmoronam, especialmente “os de cartas” .

Desconhecida's avatar

About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
Esta entrada foi publicada em Gestão, Pessoal. ligação permanente.

Deixe um comentário