Caus urbano, ou mais propriamente o transito, o estacionamento indevido em sítios impróprios, filas desgovernadas para aceder a um transporte publico, entradas de multidões em recintos de eventos, e muitas outras situações serviriam para detalhar, descrever exemplos com os quais já fomos confrontados que evidenciam (muitas vezes e não generalizando os casos) por parte de terceiros falta de bom senso.
Ora se uma fila é respeitada pela maioria e um personagem intenta contra a norma em vigor no local, muitas vezes imposta pelo simples bom senso do ser humano, isso é algo que deixa qualquer um desconfortável com a situação. Independentemente das ações que possam ser tomadas, isso daria outro tópico de comentário, o que é certo é que é algo que não gostamos que aconteça.
Muitas vezes as atitudes marcam o momento e, uma palavra bem dita no momento certo, será suficiente para apaziguar qualquer animo mais exaltado. Ao tipo de pessoa que usa da palavra ou gesto, cordial ou até simpático para explicar o porquê da sua intromissão fora da norma, diz-se pessoa de caracter. Sem más intenções o seu ato terá tido uma explicação plausível e aceitável pelo comum dos assistentes no local.
Caracter, por norma uma palavra associada a honestidade, formação moral e até princípios, servirá para caracterizar um qualquer sujeito de um conjunto de particularidades e características, quer boas quer menos boas, que supostamente estarão nele presentes desde sempre ou desde muito cedo. O seu temperamento, génio, a sua disposição ou ate arriscando-me a dizer o seu feitio, são sentidos figurados que representarão o seu caracter.
Pois bem, poderemos assim dizer que, cada um terá o seu caracter e desta forma não seremos nós a alterar seja o que for no individuo, por muito que nos desagrade seja o que for. Não cabe ao comum dos mortais tentar sequer alterar o caracter de terceiros muito menos se não conhecemos a essência da pessoa.
No caso de haver um conhecimento prévio do caracter de individuo visado, poderemos, eventualmente, expor o nosso desagrado por uma qualquer situação demonstrando o nosso ponto de vista e só. Não nos cabe a nós referir ou expressar juízos de valor sobre caracter alheio, até porque corremos o risco de sermos confrontados com referencias ao nosso próprio caracter, que para o bem e para o mal, é o nosso e nada há a fazer quanto a tal fato.
Assim sendo o personagem, mal educado, desrespeitoso, intrometido ou até sem vergonha (interpretação a quente na fila exemplificada acima) pode até ser um “sem caracter”, como se diria na gíria, mas…há que dar o beneficio da dúvida e tentar entender as razões ou motivos para tal ato, mesmo que aparentemente não tenham justificação.
Transpondo o tópico mencionado para os nossos habituais ciclos, profissional, académico ou empresarial, a primeira coisa que me apraz dizer é que: também aqui se aplicam as definições de caracter para os indivíduos que se encontram nestes mesmos ciclos. À pois é. Não é por estarmos na empresa A ou B, academia de Ciências Sociais ou Linguísticas, ou por sermos donos de uma empresa no sector XPTO que este tipo de considerações deixam de existir. Bem pelo contrário, temos os padrões de excelência tão elevados para com os que nos rodeiam, que, à mais pequenina coisa se levantam referencias alusivas e, por vezes, especulativas quanto ao caracter de fulano ou sicrano.
Não nos deixemos levar a “quente”. Estamos nos nossos ciclos e a excelência deverá por certo existir. Ao sermos confrontados com atitudes, que à primeira impressão nos levariam a levantar a cartolina de “Falta de Caracter”, e por certo até conhecemos o(s) individuo(s) façamos uma reflexão rápida dos motivos envolvidos.
Por certo chegaremos a uma conclusão que nos levará a desvalorizar o caso e a seguir em frente. O que por norma deveremos fazer. Valorizar o que é importante e desvalorizar tudo o resto (mas isso é outro tópico). No final, damos connosco bem e em consciência poderemos dizer que não levantámos “poeira” em solo relvado.
Nada melhor para uma organização que o bem estar geral entre as pessoas, e por vezes irrefletidas interpretações a “quente” deixarão marcas e histórias mal contadas que se refletirão em todo o curso de tempo em que os intervenientes permaneçam ou interajam na referida organização. Para que assim não suceda, seja o primeiro a desvalorizar e a tirar as suas elações do sucedido. a Razão virá ao de cima!
“O caráter é como uma árvore e reputação é como uma sombra. A sombra é o que pensamos dela; a árvore é a coisa real.” ## Abraham Lincoln ##



