“Que não Palmem!”

O que haverá de mais agradável, simpático e até rejuvenescente do que ouvir um sincero “Bom dia” pela manha. Ou ao fim de um dia de trabalho árduo, ou de horas de estudo na academia, ouvir um tranquilo “Até amanha”? Pois é, há palavras ou expressões que embora tão simples, tão lineares, representam e têm um efeito enorme no nosso interior.

O ato de dizer bom dia pela manha, boa tarde pelo fim do dia ou boa noite numa despedida mais noturna representam para a maioria das culturas sinal de boa educação. O simples “Olá, Tudo bem?” ou o “Até já”, significarão simpatia e cordialidade mas há algumas expressões que ficam por vezes na “gaveta”. Modernices, (será?), das novas mentalidades ou simplesmente falta de Humanidade e conhecimento da cultura que nos alimenta e que de tanto nos orgulhamos?

Falo de, como exemplo, “Obrigado por”, “bem feito”, “excelente trabalho”, “ótima investigação”, “magnifica recolha de dados”, “bela síntese”, “boa apresentação”, “parabéns”, “Boa perspetiva”, em resumo falo de Reconhecimento.

Passarei de “raspão” no comentário à vida civil ou social, pois nestes universos as hipóteses de não obtenção de um “Agradecido” ou “Obrigado” são elevadíssimas, logo, arrisco a dizer que a sociedade com seus elevados níveis de “stress” como se chama hoje em dia, preocupações infinitas vai-se lá saber com o quê, deixou de se preocupar ou até de pensar nisso. Em geral não haverá reconhecimento ao mais simples nível por pessoa alheia. Infelizmente eu diria.

Já nos nossos ciclos de eleição, profissional, académico ou empresarial, a situação é diferente pois o universo de pessoas, deveria, num modo geral pautar de igual modo por princípios e regulamentos de valores que levariam a ter de usar as tão ansiadas palavras ou expressões de reconhecimento. Quem não ouviu já falar de códigos de conduta, regulamentos internos e afins?

Tais documentos servem para que todos cumpram o mesmo tipo de regras normas, procedimentos, mas também há códigos deontológicos, e de honra, princípios base das empresas, Missão, e afins. Esses são por certo merecedores de contemplarem algum tópico relacionado com reconhecimento. Isto é senso comum.

Infelizmente cada vez mais se vive da expressão “NO news are good news”, ou seja, se ninguém se manifestar com o fazemos ou desenvolvemos então tudo estará bem. Neste caso estamos a perder imensas oportunidade de desenvolver trabalhar organizacional a sério.

O individuo não melhorará os seus procedimentos pois não tem feedback, não saberá se está a fazer o melhor ou se ainda poderia melhorar mais. Motivação? desconhece o que é, e assim por diante. A falta de uma palavra de animo ou força numa determinada altura pode ser desencorajador, mesmo que o feito não seja nada de espantoso!

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Reconhecimento,  o efeito ou ato de reconhecer algo ou alguém, transporta-nos sempre para outra dimensão. Isto é, ao refletirmos sobre este simples fato verificaremos pelo menos duas situação que nos farão pensar: ao reconhecermos alguém estamos a posicionar o individuo na real dimensão a que pertence no momento. Reconhecemos o trabalho, o esforço, a dedicação, fazendo ver à pessoa que valeu a pena, damos confiança para futuros passos e estamos de certa forma contribuir para a subida de uns degraus na escada do sucesso que cada um tem de fazer.

Por outro lado mostramos humildade e descemos ao nível de quem está a ser reconhecido numa perspetiva Top-Down (sim porque por norma reconhecimento Bottom-Up poderá ter outra interpretação e seria outro tema de comentário) fazendo o individuo tomar consciência de que o que fez tem valor aos olhos de quem de direito. Assim deveria ser. O que se perde em reconhecer realmente e sem subterfúgios alguém? Na verdade é uma relação Win-Win, saem ambos a ganhar.

Pois nada melhor do que interpretar  agradecimento ou congratulação como reconhecimento de algo que se fez ou para algo onde se contribuiu, Deveremos celebrar nós próprios essas pequenas vitórias pois a palavra por si só está conotada com gratidão, premio, recompensa. Se alguém na hierarquia nos fizer sentir cientes das consequências, consideramos positivas, de um feito, pois isso será já um efeito de reconhecimento para connosco. Menos mal, celebremos.

Há falta de um reconhecimento direto por um colega, professor, ou chefe, celebremos nós próprios em consciência de que fizemos o nosso melhor. Uma coisa será certa, a falta de reconhecimento nas intuições, organizações sejam elas de que tipo forem, para com quem se esforça e merece, e por parte de quem de direito, levarão à falta de competência, dedicação e profissionalismo no seu seio e …. difícil é prever o numero da lotaria, o resto está á vista.

Já dizia alguém certo dia,  numa forma clara e  transparente, que, reconhecimento torna-se portanto fator essencial para a permanência de um colaborador na organização.

Palmadinhas nas costa, não obrigado!

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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