“À Lupa”

Há alturas, independentemente do propósito, que dizemos: “como é possível que não tenha reparado?” Isso mesmo. Era óbvio e não vimos, não reparamos e afinal estava mesmo á vista de quem quisesse ver. Fato que acontece frequentemente. Só não valorizamos enquanto o assunto não tiver impacto real, pois quando realmente a desatenção for critica, abriremos a pestana. Obviamente.

Imagem1790Obvio uma palavra cheia de objetividade, referindo-se a algo que salta aos olhos, à vista. Algo obvio, será algo cujo teor será de fácil entendimento, algo evidente. Quando não há duvidas ou incertezas, será obvio, evidente ou incontestável. Podemos também afirmar que algo que está patente, que é intuitivo é considerado obvio.

Arrisco-me a comentar que algo que não seja raro, invulgar, de fácil interpretação ou até singular consideramos na vida como obvio. Então porque não observar mais vezes o que é obvio e passar a vida a lutar com incertezas, raridades e figuras ou situações singulares?

Sejamos objetivos e analisemos fatos exemplificativos. Os atletas de topo são atletas de topo pois nasceram com um talento especial e treinam muito, preparam-se a sério. Ficaremos mais magros se comermos menos (genericamente falando). Se bebermos água não teremos sede, claro. Usarmos o relógio no mesmo braço cuja mão usamos para segurar o cachimbo, não dará bom resultado, isso é obvio.  Poderia dar mais exemplos de óbvia interpretação, pelo menos no geral e não na especificidade.

Muitas das respostas para os desafios que enfrentamos no dia a dia, , estão mesmo à nossa frente, aos saltos à procura de atenção (género braços no ar a acenar) e não as vemos mesmo que seja obvio. Tal como as nossas mentes ao assistirmos a um espetáculo de ilusionismo, não vemos o obvio e procuramos desesperadamente uma resposta algures no palco e nos arredores do ilusionista.

E mágicos há muitos. Nos nossos ciclos, quer seja académico,  profissional ou empresarial, passa-se o mesmo, ainda pensamos que as respostas ás ilusões estão no espaço entre nós próprios e as organizações.

O que se passa muitas das vezes nas organizações incluídas nos ciclos típicos de exemplo, é que, por motivos vários, sejam estratégicos, políticos ou outros não se vê mesmo porque não se quer ver, ou não se vê por que a “imagem” não chega. Com a mentalidade do “sempre foi assim, logo não se muda uma virgula”, os processos mantêm-se mesmo que antiquados e a dar resultados menos eficientes ou sem serem eficazes, pois alguém diz que “sempre foi feito assim”.

Por outro lado se questionarmos sempre às pessoas que estão envolvidas, obteremos sempre as mesmas respostas pois a imagem está rotinada, o processo está mecanizado e ninguém olha com outros olhos para a questão colocada.

Reunir pessoas, colegas de diferentes áreas de estudo, departamentos, universidades para discutir tópicos específicos, mesmo que os intervenientes não estejam familiarizados com o tema, só traz mais valia á organização ou instituição pois haverá opiniões e comentários vindos de pessoas com outras perspetivas, outras noções e, ou, ideias…e da discussão nascerá a luz para a questão, mesmo que chegue de um alguém inesperado. Não veremos o obvio se estivermos muito focados sempre na mesma coisa.

Numa perspetiva Top-Down, nem sempre se distinguem as arvores no meio das copas que compõem a floresta.  É necessário fazer chegar a mensagem e faze-la chegar objetivamente. Não se trata de inventar a roda, não. Trata-se de ser objetivo e mostrar o obvio a quem não consegue vislumbra-lo. Não se pode, ou melhor não se deve,  permitir que as pessoas se mantenham fechadas na nossa caixa, quinta, obcecados com o que fazemos para fazerem bem sem olharem para onde poderiam melhorar. As oportunidades existem e estão á espera de serem “apanhadas”.

Referi melhorar não me referindo só a processos e procedimentos, métodos de estudo ou investigação. refiro-me a melhoramento de crescimento pessoal, académico ou empresarial. Horizontes abertos são mais valia, preparação para qualquer eventualidade é mais valia, capacidade de absorção de conhecimento é mais valia e capacidade de inclusão de outros no nosso mundo é mais valia. Novas mentes trazem novas ideias logo mais valias para os ciclos exemplificados. Mas isso não será obvio? Não se vê ou não se quer ver?

Já dizia alguém, em sede própria, e com o devido respeito:

“Cego?, Cego é o cão.”

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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