“Interno Galhardo”

“Bom som” diz-se na gíria. “Que afinação” ou até “Que magnifico instrumental” são frases comuns, refletindo realidade musical ou simplesmente usadas como metáforas ilustrativas de algo bem certo, bem delineado ou bem orientado. A maioria de nós gosta de musica e torna-a envolvente no dia-a-dia, desde o despertar, ao transporte para o inicio das nossas atividades bem como durante as mesmas, a musica é um estimulo, é verdade. Mas que ilações tirar disto? Com os mais diversos estilos, mais diversa complexidade (ou não), mais pesada, mais “soft”, existe para todos os gostos e nós adaptamos o que ouvimos a cada momento.

Estando em alturas de estudo, pesquisa, investigação, trabalho concentrado no escritório  ou a preparar a próxima apresentação para o novo cliente, a cada momento (de um modo geral) a musica estará presente. Independentemente do estado de espirito e da ocasião, o que nos leva a ouvir “um som” é a batida, a harmonia, a ligação entre instrumentos, o ritmo complexo, ou não, mas no final escolhemos o som (referindo-me à musica) que queremos ouvir pela orquestração, a afinação, o detalhe e por ai fora…e porquê? Salvo melhor analogia, e numa das perspetivas não cientificas, porque o cérebro em momentos de mais necessidade de concentração sente conforto em apreciar algo de bem feito, algo de distinto, algo de confortante.

Ora se estamos concentrados em tarefas que necessitam a nossa atenção, não poderemos relaxar a ler nesses tais momentos, logo o cérebro vai buscar esse conforto ao espetáculo que é, em boa verdade, ouvir bom som. Boa sintonia, os instrumentos em conformidade com o compasso certo e a batida a preceito, em consonância… É simplesmente magnifico. Se repararem, em momentos de concentração, apreciamos a musica, a melodia, mas nem tanto as letras. Os atributos acima referidos superam qualquer poema ou letra musical.

Posto isto, a realidade é visível. O nosso consciente aprecia coisas bem feitas, com coordenação, interação, união de variáveis a contribuir para um final único, cooperação e parceria, nomeando apenas alguns tópicos de evidencia para o exemplo descrito. Tudo isto se consegue com cooperação entre os músicos, coordenação de instrumentos e um género de parceria entre todos. Acordam o que tocar em que altura em que notas e que tons..e no fim o resultado será afinado, testado novamente e assim sucessivamente. O que é certo é que o acordo é “firmado” de tal forma que há o compromisso e empenho de todos os envolvidos, de se levar uns simples acordes musicais a, por vezes, grandiosas obras primas.

Ao efeito ou ação de produzir sons semelhantes, de soar em simultâneo ou ao mesmo tempo chamamos consonância. Imaginem as vezes que não usamos este termos como metáfora descritiva. Por outro lado, e em sentido figurado, pode referir-se consonância como havendo conformidade ou acordo. Acordo referindo-me à ação de acordar, entrando em concordância portanto. Haver acordos entre as partes, haver harmonia de pensamento e conhecimento, se possível, haver concórdia significará uma boa base de parceria pois tomar-se-ão deliberações em conjunto, usa-se uma perspetiva conjunta e não a de uma parte ou de outra, ou seja, chega-se a uma perspetiva comum.

Se nos reportarmos aos nosso habituais ciclos de exemplo, o académico, o profissional e o empresarial, rapidamente entendemos o significado de parceria, pois lidamos, ou pelo menos deveríamos lidar, com ela inúmeras vezes nas nossas interações.  O acordo ou contrato firmado entre as partes envolvidas, (indivíduos ou empresas) cujo propósito seja o mesmo, será uma parceria. Certo? OK, referi firmado, é certo. E os acordos não firmados? Pois esses por vezes ainda tem maior valor. São os chamados acordos de cavalheiros ou parcerias entre cavalheiros onde o acordado tem um objetivo comum e que é positivo (em principio) para todos. Este tipo de parcerias, quando é feito, não deverá ser quebrado sob pena de quebra de honra, um valor de caracter ainda, felizmente,  “em vigor” na essência de muitos seres humanos que compões o tecido profissional, empresarial ou académico deste Universo onde respiramos.

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Numa ótica de estratégia empresarial e com vista a haver otimização e compatibilidade de objetivos as parcerias funcionam. Refiro-me a, como exemplo,  aumento da rentabilidade, a confiança,  o fortalecimento das operações, a melhoria da capacidade tecnológica e porque não mencionar a melhoria condições de acesso aos mercados. Parcerias, objetivos conjuntos, estratégias comuns…exemplos sonantes como a musica de há pouco…mas como fazer evoluir e consolidar uma parceria externa (como exemplo com fornecedores) se não nos preocupamos com as parcerias internas. O que é feito dos acordos de cavalheiros, dos valores de caracter envolvidos, da palavra e da honra?? Apenas para referir alguns…Sem estes e outros que tal, uma parceria nunca funcionará. UI, agora é que isto complica. Sem confiança e consonância interna…não iremos afinar os instrumentos, quanto mais orquestrar melodias.

Uma Universidade, uma Empresa ou uma Organização deveriam trabalhar em perfeita sintonia interna, sem contradições, debaixo de uma estratégia comum, pensada, desenvolvida e aplicada de uma forma una ou unanime e cuja palavra e mensagem passasse a todos os intervenientes, que, funcionando em conformidade nos levariam a poder afirmar “Parece uma orquestra”… pois é.

Já dizia Aristóteles “O todo é maior que a soma das partes” .

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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