“Habilitar Embaciado”

“Em caso de emergência ligar…XYZ”. Esta é uma frase mais do que nossa conhecida, contendo um numero, diria, universal e escrita em todo e qualquer local, eventualmente para prevenir pânicos, medos e ansiedades, em caso de necessidade, mas por outro lado é suposto ser efetivo se usado, digo eu. É espectável que do outro lado da linha esteja alguém que “resolva” a situação, que aconselhe, que dê orientações, enfim, esteja a “tal voz”, a tal solução.

Anavyssos-20140521-00032Em tempos idos havia outros tipos de figurativos que representariam, em carne e osso, a tal voz que tudo resolvia ou aconselhava, ou sabia a resposta às pertinentes questões muitas vezes colocadas. Não mencionando a figura da família, refiro-me à figura da autoridade, o policia como exemplo, ou o militar até. A figura da professora na escolinha, do catedrático para níveis mais avançados, a figura do clero, há pois era…e assim poderia continuar a dar exemplos…

O que me apraz dizer é que, efetivamente, os tempos mudaram e hoje, para as gerações mais recentes, não me parece ver a existência de tal figura interiorizada na consciência das pessoas, neste caso dos jovens. Salvo melhor opinião, tenho a impressão de que olham para as fardas (quando é caso) como simples fardamentos e não dão o devido valor e sentido às pessoas que desempenham tais profissões, nem consideram seu conhecimento e autoridade com respeito e valor que merecem e deveriam, por si só impor, em qualquer situação.

Quem possui conhecimento em uma área especifica é mencionado como uma autoridade na matéria, quem possa fazer valer o poder de ordenar, de fazer cumprir, será uma autoridade também. Ora pelas definições chegamos rapidamente aos exemplos anteriormente descritos. Se as definições não mudaram, porque mudou a maneira de se olhar para o que é considerado uma autoridade?

Os nossos ciclos exemplificativos e tão sobejamente conhecidos, parece-me que também foram afetados por esta falta de consciência e interiorização do conceito de autoridade. Eventualmente pela rotação de efetivos no mercado de trabalho, a entrada de muitos colaboradores da nova geração, saídos da academia e sem experiencia de vida profissional, em que o desconhecimento na matéria á notório, logo não por mal, mas está enraizado na maneira de estar destes indivíduos.

Se falamos da Academia de onde provêm tais colaboradores, os mesmos passam os anos a cumprir “cadeira” a “cadeira”, a ler uns documentos técnicos e a pesquisar informação no universo Web, desvalorizando o papel do professor. Na sociedade em geral é notório o desrespeito (ou a falta de respeito mais propriamente) que muitas vezes se verifica perante a autoridade local ou nacional e isso é visível em grandes eventos quer sejam culturais, desportivos ou outros, poderemos também referir os ajuntamentos (vulgas manifestações) independentemente do motivo. Estes são só exemplos generalistas não são por ventura representativos da sociedade, mas o que é certo é que são notórios a cada dia.

Parece-me pertinente referir que em qualquer dos ciclos mencionados e onde nos encontramos há cada vez mais exemplos do descrito acima. Há muita liberdade de movimentos, politica de portas abertas, facilitismos de horários e ate contemplações, exceções à regra, penso que tudo isto numa ótica de agilizar a integração e o desenvolvimento, mas porém há algo a ter em conta, quer para quem seja interveniente ou para quem tenha a responsabilidade de gerir tais situações:

Já se dizia no passado “O seu a seu dono” ou seja há certos padrões que não deveríamos perder de vista e deveríamos interiorizar de uma vez por todas. Hierarquias sempre houve e haverá, como tal, por muitos que sejam os facilitismos deveremos ter respeito por tais “postos” e por tais elementos de autoridade. Se assim for tudo correrá bem mais alinhado.

Há sempre que relembrar: “À vontade não é à vontadinha”!

Desconhecida's avatar

About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
Esta entrada foi publicada em Envolvente, Gestão. ligação permanente.

1 Response to “Habilitar Embaciado”

  1. nalub7's avatar nalub7 diz:

    Muito bom! Tudo tem limite. Mas, os imprudentes desconhecem limites, por a vontade ser livre e os gostos – abusam dos gostos, das vontades e da liberdade sem limite e sofrendo as consequências desses abusos, que é o sofrimento. O preço dos abusos é o fracasso dos abusados. Tudo tem limite. E o que está fora do limite não dá certo. A vida tem regra e tem limite, disciplina, ordem e respeito. Quem sai fora dessas normas, sofre as consequências de seus absurdos, porque ninguém pode viver sem respeito e sem obediência.

    Liked by 1 person

Deixe um comentário