“Sentido Factual”

“Não entendo”. Pode ser assim o relançar de um dialogo que começara em língua desigual e para a qual não existe entendimento. Quantas vezes nos deparamos com situações semelhantes à descrita, mesmo que não passadas connosco diretamente. A comunicação entre duas pessoas é alvo de ruido, neste caso uma barreira chamada “língua”. Também é do nosso conhecimento que, dependendo das culturas, há quem siga em tentativa de entender, interpretar o que o comunicador quer dizer ou transmitir, recorrendo a uma terceira língua, que nem a de A nem a de B ou mesmo por gestos, escrita, desenhos enfim, há quem de tudo tente para realizar a nobre arte de Comunicar. Pois outros há que nem por isso. Muitas vezes, e ultrapassando a questão cultural, será um pouco pelo interesse que se terá na hipotética matéria, se é que me faço entender!

Chegado a um entendimento do tópico, assunto que o individuo A quis transmitir a B, partimos para a parte da interpretação. Em bom Português e na gíria, dir-se-ia que “eles lá se entendem”, mas…será que o assunto foi bem interpretado? ou ficou simplesmente pelo “Ah entendi-te” e na verdade não se faz nem ideia do que era suposto compreender?

IMG-20150812-00774Em muitas situações das nossas vidas, de um modo geral, temos casos onde a interpretação é um fator importante. A Interpretação de uma obra arte, no sentido critico de comentário por exemplo, a interpretação de um texto, para futura analise e eventual resumo, uma interpretação musical de uma partitura para que o ouvinte se torne sensível à mensagem de tal arte, a interpretação de uma obra representada ou coreografada, como seja de musica ou dança, a interpretação que damos a uma imagem, uma fotografia, um desenho. Enfim, poderia dar tantos mais exemplos, mas com os descritos já se vê que a interpretação é de cada um. Há pois é. Pode haver um consenso, mas em ultima instancia há que concordar que a interpretação é de cada um.

Interpretação no entender de sentido, do significado que se deu a, da versão que damos a cada caso. Alguém ouve tal comentário e interpretará de uma forma, você interpretará de outra e assim sucessivamente. Como referido, cada um terá a sua versão dos fatos e terá dado o sentido que achou por bem ao mesmo comentário. Podem existir diversas formas, argumentos, variáveis que, levem os intervenientes a chegar a um consenso sobre a interpretação do mencionado comentário. Não obstante, primeiro que tudo há que haver bom senso na interpretação da envolvente em que o comentário (como exemplo) terá sido dito, em que moldes, em que contexto. Só assim se pode partir em busca de consenso na interpretação.

Em resumo e sempre exemplificando com os ciclos habituais, (Académico, Profissional e Empresarial) pois neles muitos exemplos haverá para ter em linha de conta, há que analisar a evolvente em que os comentários, conversas, textos, etc, são elaborados. Deveremos verificar se há uma história por trás, nos leve a uma mais clara interpretação dos fatos. Por outro lado entender muito bem quem são os interlocutores e até que ponto teremos de ser envolvidos, com isto quer dizer que, “Menos é mais”, ou seja, quanto menos envolvido estiver em assuntos de difícil interpretação mais despreocupado se fica e com menos hipóteses de se criarem “especulações”.

Para todos os ciclos, há exemplos onde devemos ter muito claro o seguinte:

Saber ouvir é dos pontos mais relevantes. Ouvir para interpretar e não ouvir por ouvir. Estar atento, estar vigilante, entender e analisar a envolvente, o contexto onde tudo se passa, validar se há história, seus intervenientes. Mais que tudo, e tal como já dito: Saber ouvir.

Após analisados e praticados todos os tópicos referidos, eventualmente poderemos acrescentar outros que possam ser relevantes, perceber até que ponto o grau de interpretação está ao nível mais elevado. Questionar se for caso e se for oportuno, claro, verificar o sentido e que versão demos à mensagem que recebemos, no final das contas cabe-nos a nós com o nosso bom senso validar se fizemos em consciência uma interpretação correta dos fatos para podermos agir em conformidade como íntegros que somos. O poder de dar sentido a qualquer interpretação está em nós.

Todas as coisas são sujeitas a interpretação, como a interpretação prevalece num determinado momento é uma função do poder e não da verdade.” ## Friedrich Nietzsche ##

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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