“Não sei bem o que fazer hoje!”, “Aposto no CD A ou no filme B?”, “Será que irá ser mesmo assim?”, “AHHH, Nem me passou pela cabeça! Ou será que passou? já nem sei”. Ora eu revejo-me em algumas destas expressões e acredito que você também. Sim, neste paragrafo, trata-lo por você dá mais força ao tópico analisado…é verdade, pois não sei bem de que forma me hei de expressar perante si…. Mais uma vez, e rapidamente se mostra como por vezes nos tornamos frágeis no que toca a firmeza, convicções ou segurança. Muitas vezes na vida, mal nos apercebemos, mas temos momentos de hesitação. Correto hesitação.
Hesitação será a ação, ou o ato, de permanecermos sem saber o que fazer, pensar ou por vezes até dizer. Ficamos indecisos, estagnados. Esta não é uma situação negativa na vida desde que seja para ser usada como momento de reflexão. Momento de pensar realmente qual o passo que se dará a seguir, o que havemos de fazer o dizer. Desta forma e por este prisma não vejo a hesitação como algo negativo, pelo contrário. No entanto, hesitação poderá conduzir-nos a outra situação, um pouco diferente na analise que será a incerteza.
Incerteza, perplexidade, não estar certo de algo em concreto são pressupostos que podem caracterizar muitas vezes o estado de alma que se reflete nos nossos atos, atitudes ou procedimentos. Uma característica do estado de espirito que poderemos demonstrar, em determinados momentos, será a da indecisão. E, neste caso é que deveremos ver tudo num outro prisma. Quando não se tem a certeza de algo, muitos motivos podem existir, mas poderemos realçar um dos mais básicos e com o qual nos deparamos diariamente: a falta de conhecimento do conteúdo do que nos preocupa, do que pensamos que deveríamos possuir globalmente. A falta de conhecimento leva-nos á incerteza, é um fato.

Por outro lado, há algo na Natureza Humana que despertará sempre a curiosidade e aguçará todos os sentidos, trata-se de algo que seja dúbio. Sempre que há incerteza há curiosidade. Curiosidade legitima, de quê? Querer saber tudo aquilo que pensávamos ter condições de saber. Ou seja, a incerteza aguça a necessidade de posse de conhecimento e como tal torna-nos indecisos, coloca-nos na dúvida.
Perante o descrito acima, há que conseguir certezas, evidências do que necessitamos (ou pensamos necessitar) de saber. É o instinto Humano, ir á procura de respostas. Como exemplo generalista, da História consta que D. Sebastião aparecerá num dia de Nevoeiro, tal como desapareceu, montado em seu cavalo…pois… isto é uma incerteza metafórica para ilustrar. Há momentos que duvidamos da própria história que nos contam e vamos ler, pesquisar e investigar por nós próprios para tirarmos as versões com clareza. Ou não é? Isto passa-se em todos os ciclos a que pertencemos, académico, profissional ou empresarial.
Não se trata de desconfiar de quem nos transmite o conhecimento adquirido, nem tão pouco vacilar perante tão nobre fonte de informação, trata-se sim, do nosso consciente não estar bem (ou não ficar bem) connosco próprios enquanto não clarificamos toda a informação e enquanto não validar-mos para nós próprios como certa, correta e ponto final.
Necessitamos portanto, muitas vezes de fazer a tal pausa de hesitação, mas para refletir onde ir recolher a segurança, a convicção, a certeza que está a faltar na nossa mente consciente. Com esta hesitação feita e descobertos os passos a dar tudo será mais fácil e o seu caminho começa a fazer sentido, pois começa a fazer-se alguma clareza nas ideias.
Como referido a falta de certeza, ou a dúvida sobre um determinado fato também pode ter proveniência no chamado ruido de comunicação. Vejamos na academia, você interpreta que deverá entregar um trabalho de tal forma, em tais condições e em determinada data. Ao comentar com os seus colegas, rapidamente se apercebe que, já existem várias formas de entrega do mesmo, varias datas possíveis e enfim….o ruido deitou por terra as suas certezas em relação a todo o processo que o seu consciente já tinha absorvido. O que faz? Encaminhar-se rapidamente em busca de uma segurança de informação. É normal.
Na sua vida profissional, se algo lhe escapa à normal rotina e você questiona opiniões a varias pessoas, eventualmente vai criar-se ruido em volta desse tópico rotineiro e vai deixa-lo ainda mais baralhado e incerto. O que faz? o mesmo que o académico fez há pouco, procurar segurança na informação, certezas que se conjuguem, o que está certo. O mesmo se passa sua empresa quando alguns dos seus sócios em conversa informal e sem evidencias documentais resolvem fazer-lhe uma descrição do que se passou na sua ausência, mas do tipo contar de histórias com exageros em alguns casos, menosprezos por algumas situações noutros casos, em suma….ruido. Você fica com uma ideia mas prefere ter o momento de hesitação para ter acesso a evidencias e retomar as certezas das coisas.
Como diria alguém, e por se aplicar: “Não sei se te diga ou se te conte!”. Adiante, e em resumo, nos ciclos de gestão exemplificativos bem como na vida, há momentos de Incertezas. Há. Deveremos usar os momentos de Hesitação para reflexão de próximos passos e tomar as decisões certas, incluindo procurar colmatar a lacuna de conhecimento que nos está a causar neblina, incerteza e a lançar para o mundo sombrio da indecisão.
“No final do dia, os objetivos são simples: proteção e segurança.”
## Jodi Rell ##



