Muitas vezes já ouviu a frase tipo: “Para de pensar um pouco! Onde estavas com a cabeça agora?”, refere a sua cara metade vendo o seu olhar fixo no ponto no horizonte abstrato enquanto está à mesa. Ou então: “Lá está em órbita outra vez….Vai-se lá saber no que pensa!”, dira alguém ao seu lado que tenta chama-lo à conversa perdida pela sua “ausência” temporária.
Poderia dar muitos mais exemplos mas já entendeu por certo onde quero chegar. Isso mesmo. Refiro-me aos casos em que, mesmo sem querer, o nosso cérebro está a “mil à hora”. Para muitos indivíduos sei que é o estado normal pois não funcionam de outra forma senão tendo o cérebro ocupado com algo, preferencialmente que dê que pensar.
Muitas vezes o que acontece é que há pessoas que enquanto parecem estar a divagar no Universo, estão mesmo a por a cabeça em ordem , a arrumar ideias, pensamentos e informação captada, nos armários do cérebro. Metáforas à parte, no caso exemplificado, o que menciono é o caso em que alguém tem esta norma, não por não gostar de desarrumações mas por que tem por habito antecipar situações.
Pensar um passo à frente, antever, prevenir, mitigar qualquer eventual situação, libertando-se do “pseudo stress” que será ter essa mesma preocupação. Parece confuso? Nem por isso.
Há quem só descanse quando vê tudo despachado. Tudo, o que é tudo? Refiro-me a tudo o que lhe possa causar intranquilidade por estar numa situação considerada “pendente”, “em curso”, “em processamento” ou até “sob analise”, e isto reflete-se e encontra-se em todos os nossos ciclos envolventes.
Há quem não fique descansado enquanto não distribuir todos os papeis da sua secretária, há também aqueles que não se sentem aliviados enquanto não despacharem todos os trabalhos da academia, outros há que marcam reuniões para o mais cedo possível alegando que quando mais cedo melhor, despacha-se pela fresca.
Há quem não suporte ter dividas, e prepare pagamentos a fornecedores sempre atempadamente e há quem só se sinta mesmo bem desafogado de “pesos na consciência” sob forma do: “por fazer!” Estas pessoas trabalham e processam a informação por antecipação, ou tentam faze-lo.

Sempre que exista um período ou espaço temporal que se antecipa ao previsto ou sempre que se executa algo também antes do momento previsto estaremos perante uma antecipação. É assim para bens ou ações materiais mas também imateriais como os pensamentos que por vezes antecipamos.
Fazemos, ou pensamos em algo antes de outrem, adiantamos-mos a alguém ou a alguma coisa, em suma tomamos uma ação de antecipação perante uma eventual situação.
Por esta ordem de ideias, estaremos um passo á frente. Pensamos em algo ou fazemos algo por antecipação, pois, pois é…mas para tal, como diria alguém “é necessário sair da zona de conforto” ter mente aberta e estar disposto a vivenciar o efeito da referida antecipação. Podemos ter um efeito imediato de satisfação. “Por acaso alguém gosta de pagar contas?” – questionava um colega de trabalho – na verdade não, mas o efeito pós pagamento é libertador.
E na verdade é, liberta-se de um peso de responsabilidade que o fará sentir mais leve e o encaminhará a preocupar-se com outra coisa. Por outro lado, o exemplo também serve para o caso de ter que realizar aquela conversa com um outro colega ou até o chefe, a sua cabeça não parará de funcionar “a mil” enquanto não despachar o tema. Sentir-se-á mais leve pois já despachou mais um tópico que o importunava pois estava pendente.
Para que a sua mente funcione em pleno mesmo trabalhando “a mil” como no exemplo, você deverá sair sempre da sua zona de conforto, estar preparado para a chuva e para o vento, para o frio e para o calor, deve estar ciente do que pode acontecer, mas terá de ter uma visão abrangente, terá de estar um passo á frente sempre fazendo previsões e cenários possíveis para cada situação. Não protele, não deixe para amanha, não retarde ou atrase o que pensa poder tratar ou resolver de imediato ou em curto espaço.
A Antecipação não deverá ser mal encarada pelos pares, deve antes ser vista como um ato de pensamento adiantado com previsão e analise dos cenários possíveis num futuro próximo. Não é futurologia, mas sim estratégia de movimentação. O que é certo é que isto não acontece por acaso. Este tipo de procedimento estratégico permite-nos estarmos constantemente a desvalorizar o que realmente não é para valorizar e a canalizar energias para o que é mesmo deveras importante.
Muitas vezes queremos mesmo é aplicar a máxima do “fatiar fininho” mesmo que aparentemente estejamos com muita fome.
“A chave para fazer uma boa previsão não está em limitar-se a informação quantitativa.”
## Nate Silver ##



