“Isso não se faz! Estou mesmo, mesmo, chateado!” Poderia ser esta uma das frase a ouvir após uma situação menos agradável para alguém, onde se terá sentido mesmo afetado, melindrado, e a repensar em todo o caso. Quanto mais pensamos neste tipo de recalques, repetições e tentativas de interpretações do “porquê” alguém falhou connosco ou perante nós, pior vai ser a espera pelo alivio da mente e da alma…
Ou se trata de raiz ou não se deve guardar as emoções e recalcar sobre as mesmas….pode dar “asneira”, se me permitem a expressão. E embora nós não nos apercebamos, este tipo de situações está sempre a acontecer-nos na vida em qualquer dos ciclos envolventes onde pertencemos.
Imagine aquele dia em que apalavrou, com o vendedor, aquela casa de sonho. Já se imaginava lá com a família, seu jardim, plantas e afins. Vai dai, um dia, sem saber porque, sem motivo ou razão aparente, vem a saber que a casa foi vendida a outrem. Sairá um “Não se faz” e poderá ficar sentimento de revolta para com o caso, ou o vendedor do imóvel.
Da mesma forma que tinha tudo preparado para aquela reunião onde ia apresentar um tal trabalho, para o qual tinha sido convidado a encabeçar e, vai dai um colega seu começa a falar, segue para a apresentação e não termina senão no fim…Deixou sem o brilho da palavra. Pois parece-me que haverá ai um sentimento de retaliação a crescer…
Exemplos como os descritos (exemplos generalistas) acontecem quando menos se espera, e em qualquer um dos ciclos, académico, profissional, empresarial…. é necessário ter muita atenção à forma como analisamos cada caso, como o interpretamos e como classificamos.
No final esta classificação mental, de rápida gravação no nosso cérebro, será importantíssima para futuras decisões ou reações que se espera não se tornem em represálias. Não me refiro a casos concretos nem sequer de justiça…refiro-me e interpreto bom senso, simplesmente.
Qualquer situação que classifiquemos com incorreta, mas ao ponto de estarmos a recalcar sobre o assunto e apensar no mesmo vezes sem conta, significará que nos tocou e muito. Teve muita importância ou demos-lhe muito valor. No entanto quando assim é podemos pensar em represálias para com a pessoa ou a situação em causa.
Todo o ato que daqui surja com intuito de retribuir o suposto mal que nos foi feito, será represália. Será que a nossa vida se torna melhor depois de, de certa forma, castigarmos o outro? Depois de olharmos e apreciarmos o outro em sofrimento com o efeito da nossa represália? Não me parece que na vida se “ganhe” algo com isso, ou que nos tornemos mais felizes. Não me parece.
Não se pode ficar estagnado sem nada fazer para colmatar o nosso próprio sofrimento…Não. Mas podemos após analisar cada caso, compreender a situação e os intervenientes, arrastar o individuo em causa no que chamarei uma viajem ao centro da sua própria mente. Faze-lo compreender que o que fez foi mal feito e que deverá sair do mundo das trevas (onde aparentemente vive) que lhe ofuscam a realidade da sua própria vida, levando-o a sentir-se melhor por prejudicar os outros sem “olhar para traz”.
Este tipo de indivíduos até podem ter uma alma infinita, mas obsoleta, tornando-os na realidade ignorantes. Há que proceder da melhor forma para os encarreirar no trilho da vida. Recordo que, por norma ficamos mais magoados por aqueles que estão no circulo mais próximo…
…logo lidaremos mais com essas pessoas, e por norma queremos é bom ambiente na envolvente e não chatices ou aborrecimentos e “tragédias” de interpretações ou vingançazinhas…O silencio muitas vezes é o melhor remédio. Dá-nos para refletir no que se passou, ignorando temporariamente a situação ou o individuo.
Em resumo, e não querendo dizer que quem nos trata mal deve passar impune, de longe, mas é importante salientar que há formas de fazer as coisas e tratar dos assuntos sem ser com insultos, desforras, retaliações ou reações de carater mais incisivo na crueldade do mesmo, nem mesmo tentar fazer o “mesmo “causando” o referido sofrimento ao terceiro envolvido.

Seremos mais fortes, ganharemos mais posição, se erguermos a voz, nos levantarmos perante o que é a razão, por nós considerada, e nunca capitularmos perante os fatos que nos marcaram ou através dos quais fomos prejudicados. Em sentido figurado, quando se está no chão só há um caminho, o cimo. Ou seja, termos de nos erguer e subir o nível e acender a luz a quem anda nas trevas, como morcego, sem ver a realidade envolvente.
Vingança não, nem a frio. Uma boa chapada de “luva branca”, um ensinamento à séria…isso sim merecerá quem proceder incorretamente ao ponto de o deixar incrédulo. A nossa força na vida, em qualquer dos ciclos, ver-se-á pelas nossas atitudes.
“A coragem é o que toma para se levantar e falar; coragem é também o que é preciso para sentar e ouvir.” ## Winston Churchill ##




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SIMPLESMENTE BRILHANTE! VINGANÇA É SE MALTRATAR NOVAMENTE, FALTA DE AMOR PRÓPRIO, ARMA DOS VAIDOSOS, DOS MAUS, QUE ASSIM SÃO POR BAIXÍSSIMA AUTOESTIMA. GRATÍSSIMA!
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