“Compulsão Arejada”

Da politica, cultura e desporto, poderão chegar exemplos diários de euforia, movimentações de massas, acompanhamento sistemático do tema, pessoa, partido ou clube em causa, um entusiasmo bem visível aos olhos do comum dos mortais. Como em tudo na vida, moderadamente até poderá ser “saudável”. Sem querer imiscuir-me em assuntos de autoridade médica, como é obvio, considero saudável, numa ótica de que os intervenientes se distraem, trocam completamente de ciclo envolvente enquanto seguidores de algo ou alguém.

Como exemplos generalistas, temos fans de desporto, fans de equipas ou atletas que se deslocam para ver as prestações, as competições, as participações Nacionais e estrangeiras…temos também conhecimento de fans entusiastas que se deslocam para assistir a espetáculos em território Luso ou ao exterior, além fronteiras, tudo isto para apreciar, disfrutar de algo que o seu artista, grupo, clube faz, pratica, etc. Diria por paixão, por gosto.

Gostar, apreciar ou até mesmo querer muito algo ou alguém tem o seu encanto mas, salvo melhor opinião, tê-lo-á até certo momento. Nunca em demasia. Não ´só pelo ditado que refere: “O que é demais não presta”, mas pelo fato de poder tornar-se numa mania, ideia fixa, preocupação ou até em obsessão.

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Quando se gosta muito de algo, tudo se faz para conseguir. Quanto a isto não haverá duvidas, o pior é quando não se olha a meios para o atingir e aquilo que seria um gosto, algo consciente e com determinação passa a ser muito mais de que uma meta ou objetivo e passa a perseguição intensa dentro do seu próprio cérebro deixando-o vidrado no tema, tópico ou no que seja.

Ter objetivos de boas notas na academia, parecem-me razoável, deixar de fazer uma vida saudável só para estar fechado a estudar, já nem por isso. Ter objetivos no trabalho, (quem não os tem?), consegui-los com esforço e dedicação, parece-me tranquilo. Tentar atingi-los por meios desviantes de entropias físicas ou mentais, chegando a não “viver” senão para tal, totalmente incorreto eu diria. Só para expressar uns simples exemplos que se podem cruzar connosco em qualquer dos círculos e a qualquer momento.

Quando o tema, tópico, objetivo ou o que quer que seja, se torna em preocupação constante e exagerada e se torna presença constante na agenda como se de um autocolante se tratasse (referindo-me ao excesso), um apego excessivo a esse mesmo tema, tópico ou situação em questão como um íman cerebral, onde tudo é visualizado e pensado em prole de, tornando-se na já mencionada ideia fixa, está na altura de refletir. Estamos entusiasmados, motivados com o referido, ou estamos mesmo é obcecados?

Na vida, no geral,  já por si pode ser preocupante passar-se por uma situação de obsessão, mas nos ciclos de envolvência, académica, profissional ou empresarial, temos de estar muito atentos e não nos deixar embarcar mentalmente em tal, pois será muito pior. Ficarmos obcecados significará que nos “cegámos” com algo ou por algo, torna-se a nossa visão ofuscada, vivemos eventualmente com a consciência muito perto da obscuridade e isso leva a que não se olhe em redor, que se “atropelem” pessoas, as vezes sem dar conta, e não me refiro aos comuns “chega para lá”.

Segundo os especialistas na matéria, quando se passa a viver, a respirar, o e pelo que se quer, somente o objetivo conta, nesta altura já temos um alerta bem real de obsessão. Não obstante poderemos notar outro sinal de alerta, ao individuo obcecado por algo ou alguém não terá gozo, prazer no que está a fazer pois esta obstinado em faze-lo, já o mesmo não se passa com que tem um objetivo planeado em consciência e para se atingir dentro das normas e dentro do previsto tempo. Obsessão pode insurgir em sofrimento. Parece-me que sim.

Em resumo, e nesta sociedade de ciclos e círculos híper competitivos, há que saber bem a diferença entre algo que objetivamos e que tentaremos atingir passo a passo, na nossa caminhada, e o que estamos a querer de tal forma que estamos a obcecar. Não deveremos nunca, vidrar só e sempre na mesma coisa, não deveremos persistir no mesmo ponto sendo intransigentes para com tudo o resto como se o referido ponto fosse Uno e verdade absoluta. Estaremos a tornarmo-nos teimosos, a perder a noção da realidade e eventualmente a razão da existência de tal sonho ou objetivo.

Se detetas sinais de obsessão em algo, ou por algo, abre já a janela e apanha ar. Não deixes o cérebro fritar. Tenta ser um pouco indiferente ao tópico, desvaloriza e posiciona-o no local certo, trata dos teus sonhos e objetivos como merecem ser tratados.

Eu tenho uma obsessão intensa por fazer filmes. Eu não só adoro faze-los, como acho que talvez precise de fazer filmes”. ##  Jacqueline Bisset ##

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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