“Cunho Invisível”

Pode acontecer que se dê uso ao conceito de que as palavras transmitem sentimentos. Sim, essa será a norma quer se queira quer não. Fazemo-lo sem dar conta. Se pensarmos um pouco, refletirmos sobre o assunto, verificaremos que cada palavra ou conjugação de palavras, que formam a típica frase, irá refletir (em boa parte) o sentimento que lhe vai na alma.

Sentimentos à parte diz-se também que para haver uma conexão, uma sintonia, ou seja uma interligação entre dois seres humanos deverá haver um contacto de proximidade, não queria dizer físico, mas de efetiva proximidade. Este contacto, aqui mencionado como o contacto visual, usando a expressão “olhos nos olhos”, servirá para se tirarem as primeiras impressões da pessoa com quem estamos a comunicar.

Por vezes servirá para se desmistificar o que nos foi enchendo o cérebro com especulações acerca da pessoa com quem tantas vezes contactamos por via eletrónica ou mesmo por telefone. É não é? Imaginamos a pessoa pela forma de falar, de escrever, pela voz, enfim, imaginamos. Mas quando realmente os olhos se cruzam, ai sim, paramos e refazemos a ideia que tínhamos. 

Nos nossos ciclos envolventes, temos imensos exemplos do mencionado, ora recorde lá aquela vez em que ligou para a secretaria da academia e não se conseguiu entender telefonicamente com o funcionário. Houve ruido na comunicação. À parte e para resolver o seu desafio, deslocou-se lá e chegou à fala com tal individuo. A proximidade e a interação que existiu levou a que o assunto se resolvesse. Enfim em vez de ter a imagem de uma pessoa “incapaz de resolver os seus desafios” ficou com a ideia de que a pessoa era competente e até simpática. Acontece.

Também no seu emprego contactará centenas de vezes com fornecedores, por variadíssimos canais, e imagina como serão os seres do outro lado (da linha ou do seu “Outlook”). Um dia chega o frente a frente numa reunião de estratégia de compras, e aí…os mitos acabam. A menina de voz dócil e meiga que no seu imaginário teria simplesmente vinte e poucos anos, é afinal uma jovem senhora de sessenta e poucos que no fim lhe anuncia que se irá reformar no ano seguinte.. Ou aquele senhor que fala ” a correr” que quase não se entende, é afinal “um paz de alma”, símbolo da tranquilidade. Só para dar alguns exemplos de alguns das habituais envolventes.

Seja qual for a pequena ação que faça no sentido da proximidade, pode gerar um impacto enorme no campo relacional ou até emocional. Mostrar aos outros como você é tem muito mais impacto do que dizer-lhes ou descrever-lhes como você é. É obvio. Será? Penso que sim.

Tudo o referido acima estará direta ou indiretamente relacionado com comunicação, em primeira instancia, mas também com interação. Interagir é fundamental para criar laços de relacionamento. Dar-se para poder receber. Comunicar interagindo, um magnifico conceito, eu diria!

Tomar iniciativa de participação em algum dialogo ou conversa ou até fazer com que um grupo de pessoas, a certo momento, tenha o mesmo interesse por algo, tornar ou usar um processo, que lhe chamarei influenciador, entre mais do que um individuo, tudo isso será interagir. Interação é sem dúvida um processo de comunicação. Se num dos seus ciclos envolventes você consegue assimilar a cultura existente, direi que você está a interagir com a envolvente onde se encontra inserido, começou a interagir, pois está a assimilar e a integrar-se. Desta forma é compreensível dizer-se que interagir será um processo de integração social, académica, profissional ou empresarial.

Em resumo, e partindo do pressuposto que a presença física, o contacto visual, traz benefícios à comunicação e que esta é um processo de interação que por sua vez é integração…UFF,  diria que a sua presença no momento certo e na altura certa fará a diferença. A história antiga de que se quer dizer algo a alguém deve escrever-lhe, já lá vai. Apareça, comunique, interaja e verá que a integração acontece.

Tal como começa o texto, as palavras transmitirão sentimentos, assim, presencialmente, cada palavra expressa indicará ao recetor da mensagem algo sobre si, mesmo que inconscientemente ele interpretará algo que no caso da escrita por certo não faria. É o contacto visual a funcionar. A interpretação funcionará muito melhor e eliminar-se-á o eventual ruido. Por outro lado você existe, é Humano, é visível, e essa é a grande diferença.

Mesmo de alma bem limpa, ninguém é invisível!
Alinhadíssimo comigo mesmo.

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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