Olhamos em nosso redor e “catalogamos” tudo e mais alguma coisa. Damos nomes, referimos e expomos ideia preconcebidas sobre quase tudo e quase todos. São diariamente centenas de milhares de rótulos que colocamos, consciente ou inconscientemente, nas coisas, pessoas ou situações.
Desprezamos, desvalorizamos, elevamos, minimizamos, agraciamos positivamente. Enfim, mesmo sem querer estamos constantemente a fazer apreciações mesmo que seja só por fazer… porque na verdade está enraizado na nossa maneira de referenciar o mundo que nos rodeia ou a envolvente onde nos encontramos.
Na Academia, na vida profissional ou empresarial, muito exemplos podem ser considerados. Poderemos ter uma ideia sobre um colega ou professor, que nos ficou da primeira impressão ou contacto. Se nada fizermos por desmistificar tal feito passaremos o tempo a rotular tal individuo sem hipótese de retroceder nossa opinião.
Para o bem e para o mal. Há pessoas que nos “encantam” com algum aspeto e como tal, passamos o tempo a pender positivamente para tal individuo mas se a verdade for contrária, deveríamos ter feito a referida desmistificação e entender a real personalidade… reforço a ideia de que casos destes existem e são visíveis diariamente em todos os ciclos envolventes.
Categorizar é algo que se deve fazer para melhor controlar a segmentação de um produto ou até serviço, mas na verdade o que fazemos é usar essa categorização para definir pessoas e agrupalas na nossa mente em grupos, classes, por conceitos, camadas (hierárquicas ou não), mas basicamente com separações simplistas tais como: Gosto ou não gosto; aprecio ou desprezo; mau carater ou simpático e ainda mais simples, como gordo ou magro, bonito ou feio e mais uma variedade de categorização se usa diariamente.
Mas os termos usados como categoria ou classe deveriam ser usados na real essência da palavra e somente quando o uso da mesma fosse passível de tal entoação. Pessoa com classe, que tem categoria, educação e ética, essa sim deveria ser rotulada pela real e concreta essência de tal nome: Categoria.

Usamos tantas vezes palavras para qualificar. Qualificar pessoas, coisas ou situações como se de um jogo se tratasse, mas na verdade damos muito pouca importância a analisar, estudar e interpretar cada uma das referidas. Isto é, se investíssemos tempo em analise previa para poder categorizar ou rotular situações coisas ou pessoa, por certo teríamos a segmentação não feita com base em especulações e ideia preconcebidas mas sim com base em fatos e evidencias concretas.
Lanço o desafio de se fazer uma analise a um terceiro que pertença a um dos ciclos envolventes… alguém a quem sempre rotulamos da mesma forma. Quando as conclusões tiverem tiradas comentaremos, mas por certo se mudou a categoria ou o rotulo a tal individuo deve ter-lhe dado um especial prazer e gozo, independentemente do posicionamento da alteração categórica.
Em resumo o que quero dizer é que, quando avaliamos efetivamente as valências de cada um que nos rodeia, para além de termos certezas e evidências mais concretas, poderemos em consciência categorizar a pessoa. Até poderemos vir a errar na avaliação, mas em primeira instancia teremos mais cabimento no que mencionamos e por certo estaremos satisfeitos com a forma que tratamos tal individuo.
Com certeza cada um deve gostar de ser apreciado pelo que é e não pelo que não é. Independentemente da classe social, estatuto ou posição. Há que reconhecer o que for para ser reconhecido e não inventar baseado em paradigmas, estímulos ou ideias.
Sem um perfeito conhecimento, uma boa analise de quem nos rodeia, nunca chegaremos a ter total confiança na nossa envolvente. Andaremos sempre desconfiados, com histórias mal contadas, não partilhando toda a informação, não revelando tudo o que se devia, enfim…a vida não será como deveria ser. Comunicar é ponto fundamental para o desenvolvimento académico, profissional ou empresarial. Transparência faz a diferença. Para tais situações acontecerem de forma perfeitamente normal e transversal a cada momento, há que olhar para cada individuo de uma forma de aceitação minimamente credível.
É verdade que deve haver sempre uma distancia de “segurança” entre o que é a nossa ideia do outro e o que realmente o outro é. Esta distância não deve ser preocupante, em boa verdade será necessário manter as diversas identidades separadas, referindo-me à confiança, e bem desenvolvidas no que ao conhecimento de causa diz respeito..
Se você confiar demais nos outros e nas ideias deles, nunca vai sentir-se confiante o suficiente nas suas próprias ideias.
Tenho de concordar comigo próprio!



