“Até parece que estou a ver!”, “Consigo imaginar tal situação”, estas são apenas duas frases que ilustram aquilo que muitas vezes se passa com todos nós. O poder da imaginação. Tentamos, através de descrições, cometários, imagens criativas ou o que seja, colocar expressões, situações em cenários hipotéticos, fazendo-nos crer que visualizamos a situação que se pretendia naquele momento.
Tudo isto pode acontecer, e acontece no dia a dia. Quando nos contam algo sobre alguém ou alguma situação em que não participámos, tentamos mentalmente fazer um desenho, um filme (mental) por forma a nos posicionarmos no local e momento sobre a qual a descrição incide. O resultado? As frases acima. rapidamente juntamos variáveis e “peças” sobre as pessoas ou locais envolvidos e construímos em volta de tudo isso o cenário que os parece ajustar à história que nos estão a contar.
“Havias de ter visto a cara do Professor”, ou “Bem, nem queiras saber, o colega X, tratou-o da pior forma em frente de todos”, ou ainda “A reunião correu bem, havia de ter ouvido o feedback.”. Como ve, situações recorrentes, que no nosso dia a dia, e em qualquer dos ciclos envolventes, nos trazem a laboração da fabrica e industria cinematográfica da mente.
Moment! ou Momento.
Tudo isto acontece, por norma, e como exemplo generalista, desvalorizamos pois é tremendamente habitual, mas…e se tudo o que imaginámos não corresponde minimamente ao que é a realidade, neste caso em história contada, ao que foi a realidade? Pois é. Neste caso tudo muda de figura pois poderemos estar perante uma ilusão. Podemos estar a iludir o cérebro com imagens completamente irreais e ficaremos desta forma com uma ou mais histórias mal contadas que se transformarão em mitos na nossa massa cinzenta.
À ideia ou à falsa crença da qual nos mentalizamos, seja por uma situação ou pessoa, é considerada uma ilusão. Quantas vezes nos deparamos com situações em que analisamos que nos iludimos com algo ou com alguém? Muitas vezes por certo. Isso dever-se-á à falsa imagem ou conceito que criámos para tal fato ou personalidade. Pode ser um engano, pode ter-se tornado algo de fantasia, imaginação pura criada por nós ou a chamada miragem.
“Ver” ou interpretar algo de uma forma que possa por algum motivo não reproduzir aquilo que é a realidade, é miragem. Refiro-me, por exemplo, a uma visão enganadora, uma ilusão criada como um reflexo do, precisamente, inverso ao que tempos no momento. Lembro-me da figura de alguém no deserto, debaixo de uma temperatura abrasadora, sedento por água, e que no meio de tanta areia (por sua vez escaldante), vislumbra um lago com água cristalina. Pois a celebre miragem, o fenómeno de vislumbrar alguma coisa, situação ou pessoa, que simplesmente não existe.
Moment! ou Momento.
Na vida real e em qualquer uma das envolvente onde poderemos pertencer, Académica profissional ou empresarial, ter miragens pode ser um desafio ainda maior. Poderá significar que estamos a perder o sentido consciente do nosso rumo e estamos a desesperar por algo. O reflexo do inverso à situação atual e a ansia de o alcançar pode estar a ofuscar a visão e a propor um caminho desviante.
Ver o que não é verdade por estar ofuscado por um desejo ou uma necessidade, é muito perigoso. Não é filme, relembro que pode acontecer em qualquer dos ciclos… Não ver o que é real, não ouvir a voz da consciência, o silencio, tantas vezes mago de ensinamento, pode trazer consequências desastrosas e percursos trilhados por desviantes sinais.
Querer, desejar em demasia, leva a criar imagens irreais no nosso subconsciente que se ve superado pelo cansaço de tais pensamentos. Torna a vista num espelho dos registos arquivados, mas maioritariamente mal catalogados.

Não se deixe envolver por visões enganadoras, fruto de conversas ou descrições menos verídicas, por visões faltas esbatidas por conversas improprias e por desejos mal medidos. Ao criar este tipo de “Alçapão da ilusão” no seu subconsciente só estará a gravar histórias mal descritas. As mesmas, quando cair na realidade, eventualmente levá-lo-ão à deceção, à desilusão, voce sentir-se-á burlado por si próprio. Miragens funcionam bem no cinema, não na vida real.
Aquele que vê o que realmente não pode ser visto, não é visionário. É, e será, um eterno desiludido.
Totalmente de acordo comigo próprio.



