Diariamente, mesmo sem darmos conta, deparamos-nos com inúmeras situações, que por vezes até se tornam repetitivas, no entanto nem nos apercebemos que estamos por elas a ser dominados. Refiro-me, como exemplo generalista, aos inúmeros casos onde optamos, quase sem pensar, por colocar a negação pela frente.
“Não posso”, “agora não dá”, “tenho pena mas ficará para outra oportunidade”, “terei de verificar com a minha secretária”, “ligou para…deixe mensagem após o sinal”, enfim poderia referir inúmeras situações generalistas mas exemplificativas de situações de negação, recusa, tentativa e que mais. Na verdade tudo situações onde sem darmos conta estamos a fragilizar a nossa agenda, a nossa vida pessoal, profissional, académica ou empresarial.
Cada negação direta transmitida será pouco provável de ser recuperada. Quero com isto dizer que, sempre como exemplo generalista, na maioria dos casos quando se nega algo, o caso de apontamentos de agenda, reuniões de trabalho ou estudo, encontros sociais ou culturais, raramente conseguimos reparar o “mal feito”, ou recuperar da negação para a aceitação.
E quando conseguimos, será que tem o mesmo impacto? Pois é verdade. Dependerá da circunstancia. Não obstante, cada vez mais se deverá pensar em analisar, neste caso a agenda, antes de dar uma resposta que até poderá não ser a queremos dar.
Em boa verdade, cada vez mais estamos enclausurados em temas e mais temas, tópicos e mais tópicos que nos fazem ficar agarrados a uma rotina verbal de negação. Pensamos que estamos atarefados, mais do que aquilo que estamos, e depois podem as coisas não correr tão bem assim pois estamos e ficamos cada vez mais condicionados. Condicionados de ações, movimentos, socialização, confraternização, enfim … enclausurados por muralhas que criamos em volta de nós próprios.
Sem darmos conta, estudaremos sozinhos, pois negámos uma saída para o efeito. Trabalharemos e investigaremos sozinhos por motivos parecidos e aos poucos deixamos inclusive de socializar. Isso é bom? Pois não me parece. Tudo tem o seu peso, mas este radicalismo da negação, a tudo e a todos, salvo melhor opinião, não me parece a melhor nem a maneira mais razoável de tratar da sua agenda. Bem pelo contrário.
Estar sujeito a obedecer ou a cumprir, certas e determinadas condições, estar ou ser submetido às referidas condições, consciente ou inconscientemente, é estar regulado, controlado ou como já referido, condicionado. A questão que se levanta é esta: “E é isto que se quer?” passar a vida condicionados? Já não basta quando tem mesmo que ser por inerência das situações profissionais ou empresarias, calendário oficial académico ou outro, quanto mais o condicionamento causado e incutido pelo próprio.
Não se condicione a si próprio, não seja condição de voce mesmo, não diga que não a tudo como se outra abordagem não fosse possível. Analise cada situação e responda em conformidade. Não se deixe influenciar por uma agenda fictícia, que só existe no seu imaginário, que você gerou de propósito para se alhear do seu ciclo envolvente, do seu universo. Em suma quando responder negativamente tenha em consciência que avaliou a situação e que mais nenhuma hipótese é mesmo viável. No geral, só terá a ganhar.
Por vezes aquilo que parecia um dia normal para si, carregado de negações de manha até à noite, pode virar um dia extraordinário se você refletir antes de responder as chamadas de “negações tontas”. Será um dia superior à média, no que a satisfação, alegria e motivação diz respeito, e, de repente dará conta que se dá com mais gente do que pensava dar.
Fantástico não é? Quando se torna a dialética positiva, é porque já o cérebro assim está. Curioso não?



