Há sempre, no dia a dia, a preocupação com a forma como nos parecemos, de como nos apresentamos perante os outros. É verdade, e a razão prende-se, numa ótica generalista, com o evitar situações que possam ser menos agradáveis. Claro que isso dependerá de cada um, mas, a maioria das pessoas evitará a todo custo tais situações que consideram desagradáveis.
Já por certo saiu de casa com um botão de camisa desabotoado, ou até com uma camisola desenquadrada com os colarinhos da camisa. Já terá saído muito penteado e o vento no exterior acaba com tal perfeição de penteado deixando tudo a perder no momento. E o que acontece quando alguém o chama a atenção? Quando alguém repara? Por norma aparece de súbito a atrapalhação e até a sensação de vergonha.
A procura da perfeição e excelência, numa ótica visual, de apresentação, ou até representação, requer muito tempo a muita gente. O tempo que se investe em tal preciosismos, combinações, aparato e aparência exterior, deveria, em humilde opinião, estar corelacionada com a excelência, perfeição ou o que lhe queiramos chamar a nível interior.
Isto é, porquê a preocupação com a imagem exterior se por dentro tudo está “desarrumado”? Porquê parecer algo que na verdade não o é, não terá capacidade para o ser ou conseguir? A montra deve representar o que está no armazém, já se ouve há muito em conversa popular. Assim, esta metáfora representa uma grande verdade. O exterior de alguém, embora possa apreciado aos olhos de seja quem for, deverá representar uma infima parte do que a pessoa possui no seu intimo no seu interior, em resumo daquilo que na verdade a pessoa é.
A vontade súbita e gratuita de se querer parecer mais do que aquilo que se é, num ritmo constante e até obstinado, levando a que isso faça parte do seu dia, poderá ser considerado um capricho. Uma obstinação, teimosia ou ate resistência para com a fantasia do que se quer parecer em detrimento da realidade do que é.
Em todos os ciclos envolventes a que pertencemos verificaremos que a situação referida é verídica e que acontece. Acontece aos nossos olhos, especialmente até conhecermos os envolvidos, e podermos analisar se a aparência é equivalente á realidade de tal pessoa ou pessoas.
As aparências podem iludir, e sobre isso já comentámos bastante em artigos anteriores. Seja como for, o que leva a tal frase é precisamente a fachada que se monta pelo capricho de alguns em quererem parecer aquilo que não são. Por este motivo o Carnaval é tão divertido para muitos alguéns, é a altura do ano de sem sacrifício, sem cuidados, se fazerem passar por aquilo que gostariam de ser e que na realidade não são. Tantos exemplos se podiam dar de tipos de mascaras, se é que me faço entender.
Não obstante tudo o acima comentado, há também que realçar outra forma de capricho, esta sim que terá o seu mérito e será valorizada em sede própria. O aprumo, o primor e brio empenhado numa qualquer situação seja académica, profissional ou empresarial, o cuidado na elaboração ou execução de qualquer tarefa e o culminar da apresentação da mesma quer a nível pessoal quer como sob o padrão da envolvente, serão sempre de valorizar.

Algo que deve estar sempre presente em qualquer situação onde nos encontremos é sem duvida o Brio. O brio que deveremos ter pelos valores Humanos que nos foram transmitidos, pelo que somos e que o sabemos em consciência, o brio profissional, não por capricho, mas pela essência de desenvolver bom serviço, desempenhar bom trabalho. Em qualquer situação esse brio parte de dentro, do nosso intimo acompanhado pelo nosso consciente e … só assim se consegue obter o melhor dos resultados. A junção do bom desempenho obtido em algo ao brio de proceder ao mesmo.
Ao proceder-se de costas voltadas para aquilo que deverá ser a essência de cada um, estar-se-á a negligenciar o intimo, os valores enraizados e a transparecer um capricho de infima relevância para o crescimento humano enquanto colegas, cidadãos, professores, empresários, ao que quer que se aplique. Por vezes a vontade de chegar muito depressa onde não de deverá chegar, por uma questão meramente de vanglória, não é boa politica.
Seja consciente de onde está e de como chegou até esse ponto. Tenha uma forte e perfeita convicção para com tudo que faz em cada momento, independentemente do ciclo envolvente onde se encontra, e não importando do que se trata. O compromisso consciente para com o que se propõe fazer, para o que está em curso, é importantíssimo.
Cada vez que houver “Carnaval” nas suas atitudes, cada vez que se fizer passar pelo que não é ou tentar mostrar ser capaz de algo que não é, isso leva-lo-á a ser enfatizado perante os outros, mas…não será no sentido certo, podendo ate começar a ganhar a chamada má reputação.
Não se desleixe para consigo próprio em prole de querer passar uma imagem daquilo que não é.
Como eu concordo comigo próprio!



