Por muito que não queiramos passar essa imagem, todos nós temos algo mais para dar aos outros do que na realidade aparentamos. Figuras altivas, executivos implacáveis, estejamos onde estejamos, no que a hierarquias diz respeito, há algo por traz da mascara. Benevolência implícita na essência do ser. Quer se queira que não…é inevitável, embora em algumas pessoas mais a miude que outras. Temos algo no nosso intimo que nos está constantemente a alertar para que alguém poderá estar a necessitar de nós. Em algum aspeto e alguma situação.
E se o mencionado acima se aplicasse a países, sociedades ou estruturas social e politicamente poderosos? É verdade, se pensarmos nas guerras que temos hoje em dia por esse mundo fora, a maioria é por haver excesso de preocupação (!) entre os povos. Quem ataca preocupa-se com a fraca gestão da riqueza do pais atacado, reclamando para ela própria a futura gestão dessa mesma riqueza e … como a preocupação é tanta, por que não gerir e governar todo o país? Embora como exemplo generalista é isso que se passa. Preocupação de sentido inverso, ou o “olho no umbigo”.

Há outros casos onde países outrora separados (por guerras anteriores) e cada um legitimo pais independente, veem-se em guerrilhas territoriais por parte desse mesmo país (outrora independente). Será neste caso a preocupação (!) com a má gestão e mau aproveitamento de localizações estratégicas desses bocados de terra que, até então estariam tão descansados. Ameaças de cortes de ligações de gaz, de cortes de linhas estratégicas de transportes marítimos são postas em cima da mesa, sempre por preocupação (!).
Há alguns dias (semanas ou meses a esta parte) viram-se intensificados os níveis de preocupação com terceiros por parte de chamadas “coligações ocidentais”. As preocupações (!) foram tantas que juntaram umas economias e foram todos de avião ver o que se passava lá para os lados de terras alheias…enfim, a preocupação que nem sempre se ve…ela existe, com os outros ou com os próprios.
Mais recente ainda o levantamento de sanções politicas, económicas e ate sociais a um pais que, por sua vez é muito rico. Estava fechado aos negócios, até ha bem pouco tempo não poderia vender seu produto, mas, mais uma vez, apos muita analise, consideração e deliberação sobre o caso especifico, e com muita preocupação (!) à mistura, levantou-se o embargo e … logo o pais em causa vem dizer que está capaz de inundar o mundo com seu produto (falando de ouro negro, avisam capacidade de um milhão de barris por dia) algo que se tinha visto proibido de fazer…. É dose.
Isto leva-nos a uma questão, a uma consideração a ter em conta. Parece que desta vez, algumas imposições foram feitas, não tantas como em outros casos e, parece-me ter sido permitido que o pais em questão comece a gerir os seus produtos, exportações incluídas da melhor forma possível. Isso parece um bom principio em essência. Será que é mesmo assim?
Seja como for, e não ironizando, ha uma elação a tirar. Quando alguém ao nosso redor está mesmo a enfrentar um desafio deveremos ajudar, estar próximo, prestar auxilio, gerir a situação da melhor maneira, mas em prol do terceiro e não em prol de nós próprios como descrito acima nos exemplos generalistas de geopolítica.
Todos nós queremos acreditar profundamente que teremos um dom considerado especial, que poderemos fazer a diferença, que poderemos alcançar terceiros de uma forma especial, e, que poderemos também, em ultima instancia, fazer deste nosso mundo, um lugar gigantescamente melhor.
Não estaremos a divagar demasiado? Não, nem por isso. É o tal “algo” por traz da mascara referido no inicio do artigo. Tudo pode ser tratado, analisado e considerado mas, não podermos nunca tornar-nos abelhudos. Sim, metediços e intrometidos na vida dos mencionados terceiros. A envolvente de terceiro a ele lhe diz respeito, deveremos, aguardar a chamada para a intervenção e não abusar da “mania do conhecimento alheio”, sob outrem.
Só porque alguém que você conhece anda à procura de respostas em alguns aspetos da vida, não significa que seja você a dar-lhas. Você pode saber exatamente o que eles precisam fazer, mas, poderão dizer ou pensar que não concordam consigo. Será legitimo. Há que ter em consideração a suscetibilidade que cada um possa ter para com este tipo de situações. Se refletirmos bem, eventualmente também não gostaríamos que alguém se expressasse diretamente, dizendo-nos como proceder para com a nossa própria vida.
Ouvir os comentários, as queixas, as observações momentâneas, e, em vez de dizer-lhes o que você pensa (diretamente) ou o que esse alguém deva fazer, há que perguntar a esse alguém o que gostaria que voce fizesse por ele. A apreciação será muito maior e a sua abordagem muito bem recebida. “O que posso fazer?” é diferente de “E se fizer isto ou aquilo”. Chamemos-lhe o entendimento entre quem se preocupa e quem, eventualmente, necessita de algo.
Não pense pela cabeça de alguém, pense pela sua em prol de outrem.



