“Paisagem Classificada”

Este ano de 2016, que precede um ano (2015) considerado de excelência na ótica do Turismo para Portugal, aguarda-se expectante que este seja melhor, ou pelo menos igual ao ano passado. Prémios, referencia, nomeações e mais que me vá lembrando, não faltaram ao nosso pais “à beira mar plantado”. Referimos genericamente, mas sempre, a boa gastronomia, a boa localização, o bom clima, os quilómetros de praia, as montanhas e planícies, as ilhas, o povo afável e acolhedor, enfim nomeando simplesmente alguns fatores que tantas vezes são anunciados.

Decorria o mês de Setembro de 2015 e, mais precisamente no dia 6, a revista “Visão”, na sua edição on-line noticiava e detalhava os imensos prémios, e formam 15, quando da 22ª edição dos “World Travel Awards”, recebidos pelo pais enquanto excelência turística. Ora desde o melhor boutique hotel, o melhor boutique resort, o melhor business hotel, o melhor resort de praia, entre outros destaques, de Norte a Sul e ilhas houve para todos os gostos.

Continuando o detalhe que se tornará importante: Lisboa tinha já sido, em Fevereiro de 2015, noticiado pelo “Observador”, considerada a segunda melhor cidade como destino na Europa (primeira terá sido Bordéus), premio atribuído pela “European Best Destination” que já tinha galardoado o Palacio da Pena como o melhor Castelo da Europa…

No final do ano, em Dezembro também de 2015, no portal “Porto24”, noticia-se que o Porto, cidade,  tinha obtido a categoria, ou melhor, tinha sido considerado pelo site de viagens “TripAdvisor” como o melhor destino emergente da Europa e o terceiro melhor do mundo.

E mais, tivemos no Top portos de Cruzeiros, cidades mais românticas, palácios e palacetes, restaurantes e estrelas, um fartote de prémio e reconhecimentos ao nosso canto Portugal com tanto tempo de história. Soubemos esperar, trabalhámos para tal, merecemos? Pois essa são agora algumas interrogações mas que nos levam a tirar elações.

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Sem dúvida que, trabalho foi feito. Houve estratégia no terreno, desde D. Afonso Henriques até aos autarcas locais da atualidade, para dinamizar cada zona e eleva-las ao expoente máximo. Houve investimento, claro que sim. De tempo, de verbas, de conhecimento, de disponibilidade de abertura, mas garantidamente muito empenho e a arte de saber esperar, aguardar pelo momento certo, sempre com a confiança e a esperança de que o que se planeia terá o seu retorno.

No caso descrito, reconhecimento, mérito e, como é obvio, mais visitantes, mais divisas gastas em solo nacional, logo mais rotação na economia com efeitos, positivos, eu diria.

Esperar é algo que incomoda a maioria do Comum dos mortais. Com o ritmo de vida que se leva, e não só já nas grandes metrópoles, o verbo esperar, ou aguardar, no sentido de dar tempo ao tempo para que o tempo trate de trazer o que se anseia, já cai em desuso. Parece que nos dias de hoje, esperar faz mal à saúde, alguns pensarão, ou até que esperar irrita, pois o ritmo é tanto e o valor que se dá as coisas é tão pouco que se quer tudo para o dia anterior. Se é que me faço entender.

Na realidade, quando se planeia, se prepara, se projeta algo, independentemente do ciclo a que nos referimos, um dos fatores será sempre o tempo. Haverá considerações a ter, com certeza: verbas; recursos; e mais o que possa imaginar, mas um bom planeamento terá de ter sempre os seus tempos de espera. Não se podem construir pontes sem tabuleiros, nem fazer autoestradas sem separadores centrais. Exemplificativo, claro.

Em resumo, numa ótica de gestão, o planeamento é fundamental. Os tempos de analise, preparação e implementação terão de ser sempre considerados para que não haja entropias e que não haja atropelamentos de processos. Tudo deve estar bem definido, inclusive a equipa com tarefas e encargos bem definidos, como quem faz o que e quando faz. Se tudo estiver em sintonia, tudo funcionará na perfeição e, o reconhecimento e mérito, para alem da mais valia global de cada projeto, aparecerão.

O desafio é quando se quer muito ver o projeto terminado, ou em fases progressivas. Normalmente acontece haver o que se chama “sofrer por antecipação”. O elemento A da equipa ainda não tem bem certeza do que já fez o elemento B, mas o querer ver tudo terminado, ou ter feedback do estado do processo leva a angustia e ansiedade, por seu lado um outro elemento quer desenrolar serviço mas esta receoso que ainda não seja a altura oportuna (elementos C e D e E …) Tragédia. O exemplo é de má sintonia, quando na realidade todos desejam o mesmo, ou seja o sucesso do projeto. Aqui como exemplo generalista.

Como costumo dizer, e salvo melhor opinião, em qualquer situação de trabalho de equipa, e por isso se chama equipa, há que haver uma grande sintonia entre todos os elementos. Se cada um souber o que faz ou deve fazer, mas souber também o que cabe ao outro fazer, e assim sucessivamente, tudo se desenrolará como uma maquina de um relógio, como se diz na gíria. Não há necessidade de sofre por antecipação ou de haver ruido na comunicação. investe-se o tempo para os alicerces iniciais, quando da explicação e planeamento e já em fase de implementação não haverá sobressaltos. Para tal, esperar pelos momentos certos será primordial.

Referia no inicio que algumas autarquias (na pessoa de quem de direito) souberam esperar para ser reconhecidos, e conseguiram. Recorde-se dos prémios e dentições recebidas. Agora imagine quem vê passar o comboio da linha do Tua, que segundo a CP funciona (dados de 2015) de Junho a Outubro. Imaginou?

Linha do Tua… “viajar num comboio histórico é fazer uma viagem no tempo”, e cito o website da própria CP. No caso, um percurso á beira rio alegra a vista e a alma, dizem alguns, alavancados pela paisagem classificada pela Unesco como património Mundial. Pois, esperar, desejar e/ou ter confiança de concretização é o que se tem de fazer quando se quer mesmo ver o projeto obter sucesso.

Tal como no Tua: Se vir passar o ultimo, tem ou não de saber esperar e aguardar com tranquilidade? 

 

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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