“Sábio Além”

Tempos idos os longínquos anos de 1497. Correto, não me terei enganado. Recordar é viver e na realidade há marcos na história que não servirão só para recordar. Fizeram e fazem ainda hoje em dia parte das vidas do comum dos mortais, com marca real e legado deixado.

Não sendo historiador, nem tão pouco estudioso de tal sapiência, arrisco-me a fazer uma comparação e referir que será o caso de toda a envolvente dos Descobrimentos. No caso, o do caminho marítimo para a India, em Julho de 1497. Recordar o que se lê, o que se estuda e investiga referente a realidades da época, ás quais chamamos passado e que ainda hoje são referencia efetiva. Marco histórico  portanto.

Já em 1487, D. João II mandava recolher informação para preparação da sua exploração marítima de caminhos para chegar a terras do Oriente de onde muita coisa chegaria, com tudo o que se poderia imaginar de diferente. Houve essa ideia concebida, esse planeamento e no final o que haveria de ser a concretização e a consagração. Mas adiante.

Muita oposição se avizinhava, e era mesmo até efetiva. As altas classes, as cortes, teciam opinião contraria á expedição, contentando-se com o chamado comercio do Norte de Africa por exemplo. Havia medo e receio do que poderia advir de tal experimentação e aventura por mares nunca antes navegados, como diria o poeta. Por sua vez, el rei D. João II mantinha firme sua posição, que foi consequentemente seguida por Manuel I quando decidiu levar a cabo a expedição marítima previamente planeada pelo seu antecessor no trono.

Se em todo este descritivo histórico se podem verificar indícios de uma visão e uma clareza de ideias e pretensões objetivas por parte de D. João II, também se verifica uma crença, estratégia ou ate astúcia em dar continuidade ao planeado e projetado, nesta fase já sob comando de D. Manuel I.

Afirmativo. Há que haver alguém com a faculdade de ver, de observar e ter uma perspetiva diferenciada dos fatos, dos acontecimentos, extrapolando-os para o momento presente de um tempo ainda não vivido, ou seja o que se chama de “futuro”. Este papel encaixa sem dúvida a D. João II. Chamaram-lhe por certo desvaneio, imaginação, sonho ou fantasia, mas por certo que o que el Rei teria na altura era visão. Visão que se transformou em realidade.

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É certo que esta visão se tornou realidade pois houve persistência na conceção da ideia e do planeamento, permitindo a D. Manuel I acreditar e dar continuidade. Efetivamente a qualidade definida como inteligência, astucia é o que se pode tecer em consideração em relação a D. Manuel I. Foi esperto o suficiente para entender que o planeado tinha fundo crente. Foi sábio em levar a ideia avante e tentar fazer vingar a ideia de que a melhor forma de dominar o comércio com o Oriente seria mesmo por via marítima.

Como em todo o plano, ha riscos de falha e insucesso. Risco sempre envolvido, é um fato. Um plano como o de uma viagem deste calibre, com tudo o que envolvia e com tanta oposição das classes altas, as cortes, teria por certo que prever a segurança da rota, o que hoje chamamos mitigação de risco. Como exemplos generalistas teria sido necessário instalar entrepostos comerciais, à altura as chamadas feitorias, ao longo do caminho, e montar, erguer fortalezas em locais estratégicos de defesa.

A objetividade era descrita como a criação de elos de ligação a todo e qualquer chefe, monarca o que aparecesse em tão imaginárias localizações. Diplomacia, bom senso (na altura o termo não seria este) e muita perseverança. Desbravar mares desconhecidos e criar laços pelo caminho com fortalezas erguidas mitigando o risco e salvaguardando a viagem. Não será isto visão estratégica?

Tal como os opositores à ideia e visão de D. João II e posteriormente a D. Manuel I também uma qualquer entropia pode acontecer hoje em dia em qualquer dos momentos de um qualquer plano que tenha delineado. Não obstante, lembre-se que já ha mais de 500 anos, havia formas e estratégias planeadas para fazer face a tais eventuais entropias. Pelo que se “lê” tais medidas tiveram sucesso.

Reportando-me à realidade dos nossos ciclos envolventes em qualquer um que seja,  tente rever o descrito acima no exemplo histórico. Ao pensar num objetivo, numa meta ou simplesmente na sua visão a medio/longo prazo, se verifica que ruido há entre si e um interlocutor, simplesmente pense que há milhares de outras coisas subliminares a acontecer no mesmo momento que contribuem para o desfecho de seus objetivos.

Nem pense em enervar-se ou irritar-se, zangar-se ou o que seja.Lembre-se das oposições das cortes. Pise os ovos que tiver de pisar, sorria, suporte as pseudo oposições e, em consciência, leve a sua visão a bom porto. Sente-se cansado de toda a oposição? Também D. Manuel I. Já não poderia mais suportar tanta pressão para a desistência. Cansaço seguido de descanso profundo não o levara a conquistar a sua meta. Se for caso, faça uma pausa técnica e estratégica. Não vacile. O barco terá de chegar a bom porto, quais caravelas quinhentistas.

Apesar de todas as adversidades de uma viagem desta envergadura, histórica ou real, à escala, a tripulação, ou o seu ciclo envolvente, manterá a chamada curiosidade e muito  ânimo para conseguir um fato, também, proeza histórica. Para tal reunir-se-ão, tal como no passado, forças para enfrentar qualquer tempestade que se atravesse. Remada a remada, ou “passo a passo” o barco aportará em segurança e com sucesso.

“Todos os verdadeiramente grandes pensamentos são concebidos a pé”.
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 Friedrich Nietzsche ##

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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