“Panorama Translúcido”

Quem na sua vida não deixou escapar um transporte publico, por atraso, mau controle de horário ou o que seja. Perder o comboio no caminho para o trabalho, perder o barco de ligação numa manha a caminho da academia, ou perder o metro quando se está atrasado para um reunião. Exemplos destes reportam-se maioritariamente a viagens em circulo urbano. Usando uma expressão comum, quando se perde um avião, a coisa muda de figura. Por que será?

Podemos alegar que o custo da viagem é maior, alterações acarretam mais custos, há toda uma logística envolvida que fica em causa, a frequência de ligações é bem menor que a de um qualquer transporte urbano, enfim…. Temos uma relação com esta situação, que na essência é  igual a qualquer outra em que o transporte seja diferente, no entanto a perspetiva é bem diferente e a resistência ao desafio é encarada de forma bem diferente.

Considerando o exemplo acima acerca da perspetiva com que encaramos certos desafios ou situações na vida,  reporto-me a uma conferencia assistida há pouco tempo em que um Cientista do ramo da matemática comentava que a abordagem a estas matérias é bem diferente da abordagem feita a outras ciências, nomeadamente economia, politica ou história. Vejamos, se nos juntamos a um grupo de amigos e o tema for gestão, economia, ou até politica  comentaremos fatos e evidencias do estado atual, o mesmo se passa com o assunto historia, partilharemos conhecimentos históricos, fatos, casos.

No caso do exemplo matemática, não será de certo assim. Temos uma perspetiva diferente e tendemos a opinar e a argumentar o porque não nos agradar a matemática na sua essência, na sua base…isto porque não nos restam argumentos de conversa sobre o tema…nunca o teremos desenvolvido desde os tempos de escola. Fizemos o que conseguimos e seguimos as nossas vidas sem reter interesse pela matéria.

Em resumo a abordagem que temos aos temas poderá ser diferente consoante os receios que vão nossa mente em abordar os mesmos. Há uma zona de conforto da qual não abdicamos sair e ai colocamos os temas que menos nos interessam, ou para os quais temos receios, falta de energia para encarar ou o que seja. Se não é seguro, o tema passa a pertencer a essa divisão.

Efetivamente a mente é um lugar escaldante para se estar. Consegue validar este comentário e rever-se nele? Então tem em mãos garantidamente casos que necessitam de uma intervenção rápida no que diz respeito a clarificação, quebra de gelo ou eliminação de medos ou receios.

Um dos argumentos mais fortes para a quebra de gelo é a comunicação assertiva. Muitas vezes temos de sair da secção referida como zona de conforto e enfrentar o interlocutor para que a comunicação ganhe outra dimensão, tenha eficiência e se torne eficaz.

Poderá estar a tentar, embora que inconscientemente,  evitar ter um verdadeiro debate sobre o tema. Não se preocupe, qualquer stress, ou situação menos comoda, causado por falar cara a cara com alguém será muito menos stressante, ou incomoda, do que o stress que você está a criar a si mesmo, evitando a conversa direta e pessoalmente. Intensificar e falar. Você não tem nada a perder e tudo a terá a ganhar.

Reter informação relevante para terceiros, por temer consequências da mesma não é bom método pois só esta a protelar aquilo que se tornará num ciclo de transtorno para si e por outro lado a informação não está a chegar a tempo ao recetor deixando-o sem capacidade de atuar. A falta de conhecimento leva à especulação e muitas vezes a decisões de gestão menos assertivas com consequências para a organização. Qualquer que seja o conteúdo, positivo ou menos positivo, partilhe com quem de direito. Essa abertura, transparência, trará frutos num futuro e será valorizado.

Como se pode transpor esse tipo de emoção, sentimento de quebra de gelo, perca de receios ou medos, para o escritório numa tentativa de tornar a comunicação mais assertiva e eficiente? Comunique da forma que ache ser a mais criativa possível, e depois sente-se a ver as faíscas voarem.

Caso precise de se envolver mais diretamente com a sua comunicação, comece por pensar que poderá estar na hora de abrandar a frequência de uso de telefonemas ou do uso de e-mails para transmitir as coisas importantes e com impacto que você realmente deve dizer pessoalmente. Será a altura certa? Não será? Isso logo analisará.

Assim, seguindo o raciocínio, evite comunicação de tópicos importante e relevantes,  por e-mail ou telefone se poder ir partilhar ou até recolher a mesma informação pessoalmente. Evite esperar que lhe respondam a mensagem, se tiver hipótese de reforçar a importância que esta resposta tem, faça-o com a sua presença. O frente a frente, como o conhecemos não tem sempre se ter uma conotação negativa, pelo contrário.

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Há que alterar a maneira como olhamos para as coisas. Se temos objetivos em mente há que ser assertivo e fazer o melhor que se possa para o atingimento dos mesmos. Muitas vezes a forma como olhamos para os desafios ou situações, a perspetiva, se alterada fará toda a diferença.

Se a vida o levar a “perder” um  avião é porque, na verdade, você não deveria ter viajado de comboio. Perspetivas.

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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1 Response to “Panorama Translúcido”

  1. Vega's avatar Vega diz:

    Sinto-me mais do tipo:”se a vida me fez “perder” um avião é porque se calhar deveria ter viajado de comboio”

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