“Ruído Carente”

Assuntos triviais não serão tão triviais assim. Seria efetivamente mais sensato olharmos para as coisas, ou situações, com um olhar de maior profundidade. Qualquer coisa que seja, mas essencialmente para aquelas que realmente são para aprofundar. Claro está.

Eu diria, e atrever-me-ia a dizer, que é trivial ouvir-se ou ler-se uma noticia considerada importante e dar por adquirido que é real. Verídica, com todas as letras que a compuseram. Se ouço “A” num canal noticioso, independentemente do canal de comunicação (online, jornal, radio, televisão entre outros) considero que a noticia “A” deverá ser verídica em toda a sua essência. Pois por vezes assim não é. Há algo na noticia, propositado, para chamar a atenção e se aprofundarmos o conteúdo, muitas vezes nada tem que ver com o que começamos por ouvir ou ler. Ora bem….estamos perante uma questão de interpretação de conteúdos.

Interpretação essa que pode, muitas vezes, levar a más analogias e a perceções completamente dispares da realidade. Vejamos o caso destes últimos dias, hoje inclusive. A tão “badalada” nomeação de um ilustre cidadão Português, altamente enraizado nos meandros da politica, nacional e Internacional, para o cargo de Secretário Geral das Nações Unidas. Ahhh também ouviu, ou leu, a noticia? Pois, e o que me tem a dizer?

Pois é. Na realidade tão ilustre cidadão, Português, ainda não foi para tal “cadeira de poder”, simplesmente ganhou a sexta votação do conselho de segurança que, com isso, o posiciona muito bem para ser o próximo secretario geral das nações unidas, o que todos acreditamos virá a acontecer. Não obstante o ponto fulcral está na forma como a mensagem chega até ao publico, recetor de informação. Esse é o ponto, a interpretação da mensagem e das intenções do emissor da mesma.

Vivemos uma vida circulante ao mais alto nível. Uma vida conectada. Aparelhos eletrónicos para tudo e para todos, redes sociais, interfaces, automatismos. Meios e fontes de comunicação interligados não nos faltam. Mas, e onde está a real interpretação dos conteúdos que nos chegam? Damos por adquirido serem verídicos à luz da nossa própria interpretação?

Imaginemos como exemplo generalista que está numa amena troca de mensagens com alguém, ou alguéns (sim, refiro-me aos grupos de conversação ). Não se conseguem ver as expressões, não se analisam os contextos que originaram tal mensagem, não se conseguem ver ou ler as intenções, as expressões….no limite, lemos ou ouvimos e simplesmente interpretamos o que achamos ser o mais sensato, no final de contas para nosso bem interior (na gíria o que melhor se adapta à nossa necessidade)…isso é certo.!

Leem-se palavras, ouvem.se vozes…mas será que são com a mesma interpretação que são escritas ou ditas? Dependendo do nosso estado de espirito, da situação, da envolvente e da envolvência, alteraremos por certo a forma como interpretamos tais mensagens… se por exemplo o emissor for alguém do seu ciclo intimo (namorada(o), esposa(o)…) tentaremos a interpretar da forma que mais nos convenha e tentando levar o nosso cérebro a pensar o “melhor”,, Ahh e tal, aquele ponto de exclamação que dizer algo, ou ficou a meio da mensagem é por que ficou sem bateria…isto para o exemplo que você esteja de amores elevados, pois se estiver na negação pensará que a exclamação teve conotação negativa e que a interrupção foi afinal um  desligar de conversa… já lhe aconteceu especular com uma qualquer situação semelhante, certo?

Assim, como se vê nos exemplos, realmente a forma como recebemos informação terá a absorção que muito bem intendermos e nunca saberemos de que forma, com que intenção ou sentimentos a mesma foi enviada…

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Há dias numa pequena tertúlia de Seres Pensantes, oriundos de vários quadrantes, surgiu a abordagem da inexistência de terceiro emissor (do outro lado do canal de comunicação). Homenageio quem a referiu salientando que nos levaria a muito mais que este artigo para aprofundar, se é que me faço entender…

Dizia tal Ser Pensante: “Estamos sozinhos, comunicamos sozinhos pois do “outro lado” quem diz ser não é, a personagem não existe”, e assim se continuou a noite….

Estaremos, em termos de comunicação fechados, sozinhos em nós mesmos, pois tudo o que toca a emoções, expressões, sentimentos, não se transportam facilmente por canais de comunicação referidos?

Estaremos isolados em nós próprios a pensar que temos muitos “amigos e conhecidos” por esse mundo e na realidade … estaremos a escrever a comunicar para Alguéns? Sim ou não? Uma coisa é certa, por muito que se conheça a pessoa com quem estamos a comunicar, não será fácil saber exatamente que sentimentos estão implícitos na escrita, que sensações, que expressões estão a ser usadas e com que real intenção toda a mensagem foi emitida. O que sabemos é que ao recebermos o conteúdo de tal comunicação, interpretamos à nossa maneira com base em ideias, conclusões, perspetivas que temos das situações, da envolvente e até da forma como estamos ao nível emocional. No limite vivemos momentos imaginários?

Sim na realidade nunca teremos a certeza da intenção de outrem no momento do envio de tal mensagem. Não saberemos que sentimentos estavam expressos. Interpretamos à nossa maneira e nunca saberemos o que iria na mente de terceiros ao envia-la. Simplesmente tiramos elações e somos felizes ou vivemos frustrações. Em resumo a escolha é nossa.

Ora posto isto: Mais vale uma perceção válida, ou validada, para o momento do que uma interpretação errada das circunstancias.

Realmente ainda continuo a concordar comigo próprio.

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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