Conversas de corredor, entrelinhas e outras situações que tais, serão as acendalhas de muitos mal-entendidos ou até confusões. No geral são, ou poderão ser, o motor de muito ruído de comunicação.
Quando não se sabe ao certo do que se fala, qual o assunto ou quais as motivações em certos momentos, há sempre uma certa tendência para inventar. Ora, inventar (termo aqui descrito com o sentido de supor, sentido de criar ou gerar hipóteses) será o melhor que o comum dos mortais saberá fazer em qualquer que seja a situação.
É da Natureza Humana. Temos mesmo uma tendência para fazer suposições acerca de tudo. Por tudo e por nada nos tornamos “sabichões”, os seres pensantes e com conhecimento de causa a cada momento e para quase todas as situações existem as soluções e resoluções. O problema em fazer suposições é que as mesmas se tornam visíveis aos nossos olhos mesmo sem se verem, pois são fruto do imaginário, tornam-se para nós reais. Conseguimos até jurar que são mesmo verdadeiras… saberá com toda a certeza ao que me refiro.
Supomos que, cremos que, fazemos suposições acerca do que os outros estarão a fazer ou a pensar. tornamo-las pessoais e então culpamos os outros e reagimos enviando veneno emocional para mundo que nos rodeia.
Ao fazermos suposições estamos a não entender, por certo, a realidade como ela é e tornando-as pessoais acabamos a criar um grande drama por tudo e por nada.
Quem não comentou já algo do género: “ Parece cansado, imagino o que andará a fazer”, ou “ Calma, não se chateie com o que disse, era mera suposição” ou até “Deixe-se lá disso, não poderemos tomar decisões baseados em suposições”. Pois exemplos destes existirão em qualquer um dos quadrantes ou ciclos onde nos envolvemos ou somos parte integrante.
Suposição ou geração de hipótese, pressuposição ou suspeição são parte ativa e real do nosso dia a dia. Este, o ato de supor, de tornar mentalmente real algo para o qual não existem fatos ou evidências, faz com que levemos o nosso cérebro, o nosso consciente a acreditar em algo que nós próprios criámos. Perigo! Pois já dizia o ditado: “uma mentira mil vezes contada torna-se verdade” (parafraseando) ora, a maior parte das vezes, a suposição transparece tão real que até o próprio que supõe não consegue imaginar o contrário do que supôs. Confusão? Não.

Passar o tempo, viver com ou à base de, suposições será como dar algo como existente, não o sendo, tornar ou dar uma existência considerada ideal àquilo que não tem ou até tentar adivinhar através de indícios ou sinais o que lhe convém, lhe é mais favorável ou oportuno. Desta forma, viver assim será viver na ilusão, nunca com a realidade efetiva. Viver assim é, com certeza viver à sombra da ilusão.
Se ao sair de casa, ou de qualquer outro sitio, e reparar que o chão, o asfalto, o piso ou o terreno está molhado por certo supõe que esteve a chover. Sem testemunho comprovativo ou evidência não o poderá afirmar com a certeza que o seu imaginário o fez. Já imaginou se entretanto terá passado a viatura de limpeza das ruas? Ou alguém ter deitado um balde de água para a via pública ou o que seja? Qualquer situação será possível. Até prova em contrário o piso estará simplesmente molhado. Esse é que é um facto.
Em resumo, os sonhos e fantasias deverão existir e alimentar momentos, é verdade, mas não como fio condutor ou alimento de uma vida ou forma de viver. Deixemo-nos de “suponhamos”.
As suposições muitas vezes dão mau resultado. O veneno emocional que podem gerar aumenta a probabilidade de ocorrer uma qualquer mordidela. Supõe que seja de cobra? Pois…na verdade poderá ser de um qualquer animal.
AH pois é!



