Por vezes ao nosso redor, para onde quer que olhemos, deparamo-nos com pessoas que na realidade representam a tempo inteiro. Não são elas próprias, passam a vida a personalizar papeis, como se de teatro se tratasse (com todo o devido respeito às atrizes e atores). Será que sou o único a ter essa sensação? Não com certeza.
O pior é que, para o comum dos mortais reparar nesse tipo de pessoas ou situações é porque as mesmas o fazem mal. Tentam representar o papel que mais lhes convém a cada momento, conveniência pura, mas fazem-no tão displicentemente e tão mal (mesmo) que se nota “a léguas”. Na realidade este tipo de “personagens” vive na ilusão, pensam que enganam, ou iludem toda a gente que os rodeia…..fazendo-se passar por algo que não são, ficcionando papeis que, de todo, lhes dizem algo, só mesmo para conseguirem algo em proveito próprio. Pelos valores de carater que me foram transmitidos e salvo melhor opinião, diria que este não é o caminho, mas enfim.
Como se conseguirá viver 24 sob 24 horas a representar diferentes papeis, consoante a circunstância, no meio de tanta falsidade, intrujice, hipocrisia, e mais uns quantos adjetivos que poderia usar? Por vezes penso que essas pessoas chegam a acreditar na própria farsa, o que deve ser difícil carregar em consciência…
Cada vez mais há que ter cautela com a forma usada quando se têm uma abordagem com terceiros. Teremos que ter subtileza na “abertura ao próximo”, pois a escutar aprende-se mais do que a falar (isso já se saberá), para tentar numa curta fração de minutos, o mais célere possível nos apercebermos de que tipo de personagem temos pela frente. Se o conseguirmos garantir, magnifico, caso haja duvidas, tente dissipa-las com mais uma ou outra abordagem temática daquelas típicas com as quais conseguirá tirar por certo as suas elações. Há sempre um ponto fraco no “Guião” do personagem.
Como localização por satélite, tudo isto se pode passar (e verificar) a qualquer momento em qualquer local, personagens há-os por todo o lado. Imagine a deparar-se com um destes personagens no meio académico. Por certo irá reparar no tipo de conversa para os Professores, auxiliares, funcionários etc do tipo “cheguei e aqui estou”, sempre com o objetivo de obter algo em beneficio próprio, algo tão simples que pode ir do evitar burocracia à tentativa de obter melhor notas…enfim, que os há, há!
Continuemos no imaginário, mas desta vez no seio empresarial. Depara-se com alguém que todos os dias tem um(a) amigo(a) diferentes e ao mesmo tempo uma inversão de acréscimo de inimigos, algo em simultâneo, quase direto, isto é claro está, quando se torna amigo de alguém rapidamente esquece e se torna, diria, quase inimigo de outro! Complicado? Não. É simplesmente a “vida profissional” a desenrolar-se. Nem sempre é assim, pois a personagem referida pode, por interesse não se tornar mal dizente á cerca de outrem por algum tempo. Você desconfiará que algo se passará.
E já que estamos no palco empresarial ou organizacional, comentar acerca dos exemplos de tentativa de colocação em um qualquer posto, em uma qualquer autarquia, freguesia etc. Para tal terá a personagem de representar multifacetados papeis em simultâneo para ver de qual deles tira o melhor partido. Ora estando constantemente em representação, começa a fazer-se notar pela negativa….mas normalmente há sempre algum espetador menos atento que vai evitando o “baixar do pano”. Infelizmente é assim.
Obviamente há ditados populares que representarão o perigo que os personagens correm no desempenho da sua atividade, como :” O azeite vem sempre ao de cimo”, ou “a mentira tem perna curta”, só para mencionar alguns.
Em resumo, efetivamente só teremos a ganhar se formos nós próprios a cada dia e se conseguirmos demostrar por A+B o que valemos que seja na sociedade, como seres humanos, na academia, no mundo profissional ou empresarial. De nada nos vale fazer parecer algo que na realidade não é. Há conceitos que não deveremos nunca esquecer:
” O fato de Marinheiro não chega para se entender o mar” Jorge Palma (2009)



