“A Barcaça”

Estranha sensação de ser “obrigado” a ficar calado…..É verdade, contextualizando, é o que nos acontece quando apanhamos um elevador, que leva mais do que uma pessoa, e temos de viajar uns andares fechados no nosso silêncio.  Muito se poderia falar ou comentar acerca das palavras certeiras que servem de quebra gelo ou para desbloquear o silencio instaurado.

Mas na verdade é isso que se quer? Ir a falar durante uns segundos,  minutos, dependendo do tamanho do prédio, logo da viagem? A falar, possivelmente com pessoas que não se conhece? Não me parece. Tenho a sensação de que o que se quer mesmo é que o tempo passe depressa o elevador faça o seu percurso o mais rápido possível e que ninguém note para os nossos sapatos ou para o colarinho da camisa, enfim, teremos toda a vida, quando constrangidos em locais apertados com mais gente, a insegurança de que algo pode estar errado em nós e que alguém vai reparar. E se estiver? Qual é o problema? Para ultrapassar este tipo de situação é necessário uma grande dose de autoconfiança e pensar que ninguém ali lhe vai engraxar os sapatos ou compor o colarinho da camisa e a gravata.

O exemplo do elevador, descrito acima, pode ser posto numa vertente académica ou profissional. Isto é, também há pessoas que embora a desempenhar as suas funções estão desejosas que o dia passe por elas e que ninguém as interpele com  nenhum assunto ou comentário. Quanto menos conversa melhor. Pois esse será o tipo de pessoa que embora tenha, ou tente, construir a sua mansão na ilha para passar bons momentos se esquece de fundear a sua barcaça ou aportar o seu Hidroavião. Pois, ilha sem barcaça ou algo parecido não dá bom resultado.

IMG-20140524-00074Posto isto dizer que por vezes, e tendo em consideração que ainda se constroem muitas ilhas por essas instituições existentes, quando se olha de cima, a chamada fotografia à floresta, a vista de Helicóptero, ou outras designações idênticas, não se repara nem se dá conta da existência de tais indivíduos e suas ilhas sem transporte. Quando se “puxa” pela objetiva é que se começam a revelar os pontos na imagem. Ora este tipo de situação, numa sociedade empresarial onde se apela ao espirito se equipa, onde as vozes de liderança fazem jus á liderança pelo exemplo, é, a curto médio prazo uma situação que dará mau resultado.

Das duas uma, ou o individuo e sua ilhota trabalham completamente independentes do Mundo que os rodeia (o que se inseridos numa empresa não me parece normal) ou mais tarde ou mais cedo terá de haver adaptações e a barcaça de salvamento terá de chegar de algum lado. Ou alguém a lança, ou o individuo terá de a construir para chegar ate aos demais. Esta é claro a cereja no topo do bolo de uma empresa a trabalhar em equipa sem ilhas ou ilhotas sem transporte. Uma humilde barcaça pode salvar a situação.

Muitas das vezes um dos motivos levantados para este tipo de atitude pode, e deverá, estar relacionado com a insegurança interior do individuo ou indivíduos  que constituíram a aldeia na ilha.. O fato de algo estar mal explicado no “seu eu”, o fato de algo poder vir a ser detetado como anómalo ao seu trabalho deixa-o nervoso ou até ansioso, dai nada, nem ninguém, poder intrometer-se na sua ilha. Fala-se também em pessoa introvertida. Pois penso que não por ai a desculpa a usar. Uma empresa com bom ambiente e  bom espirito de equipa consigurá levar o individuo a socializar e a sair do seu cazulo, se me é permitida a expressão. Assim o individuo queira.

Para refletir no silencio, meditar, fazer introspeções sobre o que seja até me parece adequado usar o termo :”Ouvir o som do silencio”, agora, viver isolado no meio da multidão, parece-me algo de cariz sofredor.

Em resumo, no mundo académico, profissional, empresarial, mas também na vida quotidiana, para certos aspetos não basta olhar a vista aérea, há que descer à terra e analisar os detalhes , sob pena de saírem goradas as expectativas.

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About João Farinha

Prof. Dr João Farinha Dean of the Management School at ISLA Santarém – Polytechnic University, President of the Technical-Scientific Council of the Management School, and Member of the General Council of ISLA Santarém – Polytechnic University. He also heads the Projects Development Office, where he promotes institutional innovation and development. Prof. Dr Farinha holds a PhD in Management and a Master’s degree in Marketing from Universidade Europeia, and is currently undertaking post-doctoral research in Management, specialising in Leadership and Knowledge Management, at the University of Beira Interior. With over 30 years of academic and professional experience, he serves as both Lecturer and Programme Director for several key programmes, including the Higher Technical Professional Course (TeSP) in Commercial Management and Sales, the Bachelor’s Degree in Business Processes and Operations Management, and two MBA programmes: the MBA in Commercial Management and Marketing, and the MBA in Strategic Thinking Development. An active researcher, Prof. Dr Farinha collaborates with research units such as GOVCOPP (University of Aveiro) and NECE (University of Beira Interior), and serves on the editorial boards of several esteemed academic journals.
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