Estranha sensação de ser “obrigado” a ficar calado…..É verdade, contextualizando, é o que nos acontece quando apanhamos um elevador, que leva mais do que uma pessoa, e temos de viajar uns andares fechados no nosso silêncio. Muito se poderia falar ou comentar acerca das palavras certeiras que servem de quebra gelo ou para desbloquear o silencio instaurado.
Mas na verdade é isso que se quer? Ir a falar durante uns segundos, minutos, dependendo do tamanho do prédio, logo da viagem? A falar, possivelmente com pessoas que não se conhece? Não me parece. Tenho a sensação de que o que se quer mesmo é que o tempo passe depressa o elevador faça o seu percurso o mais rápido possível e que ninguém note para os nossos sapatos ou para o colarinho da camisa, enfim, teremos toda a vida, quando constrangidos em locais apertados com mais gente, a insegurança de que algo pode estar errado em nós e que alguém vai reparar. E se estiver? Qual é o problema? Para ultrapassar este tipo de situação é necessário uma grande dose de autoconfiança e pensar que ninguém ali lhe vai engraxar os sapatos ou compor o colarinho da camisa e a gravata.
O exemplo do elevador, descrito acima, pode ser posto numa vertente académica ou profissional. Isto é, também há pessoas que embora a desempenhar as suas funções estão desejosas que o dia passe por elas e que ninguém as interpele com nenhum assunto ou comentário. Quanto menos conversa melhor. Pois esse será o tipo de pessoa que embora tenha, ou tente, construir a sua mansão na ilha para passar bons momentos se esquece de fundear a sua barcaça ou aportar o seu Hidroavião. Pois, ilha sem barcaça ou algo parecido não dá bom resultado.
Posto isto dizer que por vezes, e tendo em consideração que ainda se constroem muitas ilhas por essas instituições existentes, quando se olha de cima, a chamada fotografia à floresta, a vista de Helicóptero, ou outras designações idênticas, não se repara nem se dá conta da existência de tais indivíduos e suas ilhas sem transporte. Quando se “puxa” pela objetiva é que se começam a revelar os pontos na imagem. Ora este tipo de situação, numa sociedade empresarial onde se apela ao espirito se equipa, onde as vozes de liderança fazem jus á liderança pelo exemplo, é, a curto médio prazo uma situação que dará mau resultado.
Das duas uma, ou o individuo e sua ilhota trabalham completamente independentes do Mundo que os rodeia (o que se inseridos numa empresa não me parece normal) ou mais tarde ou mais cedo terá de haver adaptações e a barcaça de salvamento terá de chegar de algum lado. Ou alguém a lança, ou o individuo terá de a construir para chegar ate aos demais. Esta é claro a cereja no topo do bolo de uma empresa a trabalhar em equipa sem ilhas ou ilhotas sem transporte. Uma humilde barcaça pode salvar a situação.
Muitas das vezes um dos motivos levantados para este tipo de atitude pode, e deverá, estar relacionado com a insegurança interior do individuo ou indivíduos que constituíram a aldeia na ilha.. O fato de algo estar mal explicado no “seu eu”, o fato de algo poder vir a ser detetado como anómalo ao seu trabalho deixa-o nervoso ou até ansioso, dai nada, nem ninguém, poder intrometer-se na sua ilha. Fala-se também em pessoa introvertida. Pois penso que não por ai a desculpa a usar. Uma empresa com bom ambiente e bom espirito de equipa consigurá levar o individuo a socializar e a sair do seu cazulo, se me é permitida a expressão. Assim o individuo queira.
Para refletir no silencio, meditar, fazer introspeções sobre o que seja até me parece adequado usar o termo :”Ouvir o som do silencio”, agora, viver isolado no meio da multidão, parece-me algo de cariz sofredor.
Em resumo, no mundo académico, profissional, empresarial, mas também na vida quotidiana, para certos aspetos não basta olhar a vista aérea, há que descer à terra e analisar os detalhes , sob pena de saírem goradas as expectativas.



