“Elocução grotesca”

Poucos são os dias em que nos deslocamos do ponto A para o ponto B, sem que haja confusão no transito de um qualquer aglomerado urbano, pressupondo que nos deslocamos em veiculo automóvel, no exemplo. Quantas vezes se ouvem buzinas, se veem sinais de luzes, gestos com os membros superiores (ás vezes impróprios e desprovidos de razão), e se não levarmos o “sonoro” da viatura a debitar muitos decibéis, até palavrões, slogans de guerrilha urbana se ouvem. Quantas vezes vos acontece? Imagino que quase diariamente, se não por um motivo, por outro alguém que ande no transito, na mesma ocasião que nós há de estar mal disposto com a vida, se me permitem admitir que assim seja.

Pois o que se passará, maioritariamente, não terá a ver com a efetiva situação do transito, nem com a manobra (que nem fez pois estava parado), nem com a cor da luz do semáforo, nem com a sinalética da via de circulação. Terá sim que ver com alguma situação mal resolvida que o individuo carrega no seu intimo e que não consegue descarregar em sede própria. Ahh pois é, um acumular de situações que se foram agregando até ao momento de explosão.

Catarse. Ao comentado e exemplificado acima, chamar-lhe-ei Catarse. Uma palavra, de certa forma, pouco utilizada, mas o seu significado tantas vezes aplicado. Ahh pois é.

Segundo Aristóteles, a catarse significará o ato de purificação das almas, através de uma descarga emocional que será provocada por um drama. Ora drama é o que o individuo coloca no seu consciente para cada situação mesquinha que lhe esteja a “moer” interiormente. Se a mente está cheia de dramas, em nada mais se pensa e, claro que já ouviu a frase: “Só me apetece gritar”, um sinal inequívoco de necessidade de libertação, de purga, de qualquer sentimento dramático acumulado na sua mente.

Salientar que também existe catarse por bom motivos, boas experiencias, emoções que levam os indivíduos a processos catárticos. Mas, no caso, no momento, não será usado o exemplo!

Se nos teletransportarmos para o nosso real ambiente envolvente, como seja a academia, o universo profissional ou ate empresarial, teremos certamente muitos exemplos de efeitos pré-catarse. Isto é, muitas situações em que se aplica o acima comentado. Bem, em boa verdade, parece-me que neste tipo de universos não se chega as verbalidades e obscenidades gestuais como em pleno centro urbano quando nos encontramos no transito…ao menos isso.

imagine-se com um trabalho em mãos em que há tópicos que são repartidos entre colegas, grupos ou departamentos, logo há interdependência. Você e sua equipa fazem o trabalho que vos compete, dentro do tempo estabelecido e , eis que, há ultima da hora um imprevisto (eventualmente prioridades menos bem definidas das tarefas por parte da outra equipa) e o trabalho não poderá ser entregue atempadamente? Explicações para um lado, questões para outro e não se chega a um veredito a não ser: O trabalho não sairá atempado. Para quem tem brio profissional, devemos admitir que deve custar fundo esta situação pois na verdade não dependeu de si nem da sua equipa, e do outro lado ninguém se preocupou com a questão de cumprimento de metas, horários e afins (isto tudo como tópico exemplificativo ao ponto extremo). É ou não é neste momento que lhe apetece……você dirá!

Afirmativo. Dependendo da quantidade e qualidade (se assim posso chamar) das camadas acumuladas que este tópico gerou você vai sentir-se aliviado com um ato de catarse ou vários momentos de catarse.

IMG-20140521-00030Isto acontece diariamente pelos mais diversos motivos. Para evitar chegar a este ponto, concentre-se no que tem em agenda, veja as prioridades e dependências de outros, analise se tem margem de manobra (espaço de agenda) para se algo corra menos bem e desvalorize detalhes sem significância. Imagine que o trabalho está a correr muito bem e que o lazer depois da obrigação chegará e ….compensará.

Caso as camadas de drama acumuladas sejam de tal forma…não pense duas vezes…descubra a sua forma, a melhor forma e …Catarse.

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About João Farinha

Ph.D. in Management from Universidade Europeia – Laureate International Universities, with a Master in Marketing and a thesis on Brand Management. He also holds an Executive Master in Marketing Management from the same university. In addition, he has Certification in Business and Management from Case Western Reserve University (Leadership and Emotional Intelligence), Certification in Business and Management from the University of Maryland, College Park, (Entrepreneurship) and Certification in Business and Management from the Wharton School, University of Pennsylvania (Leadership). His Background is in Accounting and Administration–Taxation from Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
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