Há dias em que se houve dizer: “Só a mim…só a mim é que estas coisas acontecem”; “isto é irreal, não me está a acontecer de certeza”; “Que absurdo! Nem dá para a creditar”. Pois estas são algumas frases, como exemplo generalista, que ouvimos dizer em tons de desespero de causa. Alguém que está incrédulo com o que se está a passar á sua volta ou consigo próprio. Algo se passará com o qual não estaria a contar ou então a situação em causa terá extravasado os limites do razoável.
Muitas vezes deparamo-nos com situações que de graves ou até de caricatas se tornam quase surreais, absurdas ou muito improváveis de acontecerem. Mesmo assim, tentamos, fazemos um esforço para entender o sucedido, tentar compreender para, como sempre voltar a apreciar a situação.
Mudarem a fechadura central do seu prédio, sem avisarem, e tornarem a entrada no local que será o seu “quartel general” uma aventura, isto parece absurdo e será o que você dirá se lhe suceder. Pedir num restaurante vegetariano um bife da alcatra, não parece normal, a não ser que lhe sirvam o “bife de alcatra” sem o próprio bife, pensando precisamente que o seu pedido não foi nada normal e muito improvável mesmo de se repetir. Comprar um livro técnico pela web, caríssimo por sinal, e chegar-lhe um livro A5 de banda desenhada, não o fará ficar muito contente e fá-lo-á dizer (depois de outras palavras) algo como: ” Que mais me irá acontecer? isto parece impossível”.
Efetivamente, e já o tinha referido antes, esta será uma palavra que aprendi a usar com cuidado (já o referia Wernher von Braundizia eu sobrescrevo): Impossível.
Impossível refere sempre a algo de negação, quando se trata de possuir, ser, acontecer, nomeando só alguns exemplos. Algo que quer muito mas não consegue, tende a classificar de Impossível. O mesmo se passa com algo que não será concretizável, independentemente dos motivos, será por certo catalogado também. Se alguma situação tende a não acontecer, ou passar a ser, catalogo de imediato…como se vê há sempre uma negação á volta da palavra que é elevada ao extremo potencial. Que não acontecerá nunca, que não será nunca, que não terá nunca e assim sucessivamente.
Exemplos destes temos, como sempre, em todos os ciclos exemplificativos. Chumba a segunda vez seguida a uma cadeira, na academia, com a qual não consegue encarreirar, e vai dai “Isto é impossível de obter positiva”, diz por certo. A caminho do trabalho, em cima da hora para a tal reunião importante, fica sem combustível e dá conta que a carteira ficou em casa…..”Que cena. Que mais me irá acontecer, …Isto é impossível, logo hoje”. Chega a hora e o seu diretor dá-lhe indicações que o vosso próximo cliente chegou para a reunião de definição de acordos comerciais, ao ouvir a proposta que traz, você, como o decisor, exclamará “isso é impossível, não conseguiremos combater tais margens”….
Posto isto dá para entender o quanto usamos a negação, direta ou indiretamente, nas nossas vidas e nos ciclos envolventes aos quais pertencemos. Garantidamente se usarmos menos a negação e mais a outra versão, a outra perspetiva, a vida decorrerá muito melhor. Adiante.

Como exemplo generalista, passamos a vida a comentar, a referir, verbal ou textualmente, que tudo é contrário à razão, como se uma travessia sem fim e sem hipóteses se tratasse. Passamos a vida a referir que tudo é infinitamente distante da realidade, que tudo são desejos impensáveis e sem sentido concreto ou racional. Tudo, dizemos se turna insuportável desde que haja muito fluxo extra, do que quer que seja.,…logo impossível de suportar..
O que temos de fazer mais vezes, ou arriscando-me a dizer, sempre, é contornar a ideia de que não temos hipóteses, que algo não pode mesmo ser feito, que ninguém consegue, ou que não acontecerá. Dará sempre a sensação de desamparo, desamparo mental…fraqueza é o que demostramos com tais pensamentos. Se é tão absurdo assim, contrariemos a ideia e passemos a olhar para a mesma situação com uma perspetiva de “incrível” por exemplo. “Olha que absurdo” poderá muito bem ser dito “Que incrível situação” pois a interpretação está em você, no que diz e como diz. Verá que tudo á sua volta muda, quanto mais não seja de espanto !
Passar a usar o mecanismo cerebral para mudar perspetivas, conceitos, imagens ou visões preconcebidas, ou preconceitos existentes. Deixemos o impraticável na gaveta, o inviável e o impensável no cofre e esqueça, retire do seu “dicionário” o impossível. Enfim, verá a diferença….Os dias até parecem outros.
“Comece por fazer o que é necessário; em seguida, fazer o que é possível; e de repente você estará a fazer o impossível.” ## Francisco de Assis ##



