“O Azimute”

Em Viagem uma das coisas que nos acompanha, por norma, é um mapa. Um mapa de cidade, de zona, de região ou ate do país que visitamos. Escrevo tempos idos pois na era do digital já tudo se faz recorrendo á tecnologia GPS, entre outras, que nos dão localizações concretas com hipótese de saber como chegar, o que ver, o que visitar e, recorrendo a aplicativos adicionais, onde ficar, onde comer bem, etc…. Típico e atual site de viagens…

Se recuarmos ainda mais no tempo, lembramo-nos que o tal mapa servia de guia, orientador e tinha muitas vezes por apoio oficial uma bússola. Bússola, aquela aparelho cujo mostrador contem os pontos cardeias, uma agulha magnética que nada mais faz que apontar para Norte. Isto sendo um exemplo ilustrativo de um momento de orientação.

Mapa e Bússola na mão e haveríamos de nos orientar e chegar ao local pretendido. O destino de sonho, de férias estrada fora, ou o simples lago no meio da floresta, ou até aquele trilho que nos conduzia aquele convento escondido por de traz dos montes e vales….

Destino. Destino no sentido de ponto de chegada, direção, rumo, final do nosso itinerário, final do nosso caminho ou percurso. A nossa meta, o nosso objetivo enquanto viajantes, caminhantes, passageiros do nosso calçado. Por norma não andaremos ao acaso, traçamos um rumo, ou um destino para chegar do tal ponto A, onde nos encontramos, até ao ponto B, designo Destino. Tal como exemplo generalista um avião traçará a sua rota, o navio o seu rumo, nos traçaremos nosso ponto de chegada, o nosso destino.

Posto isto, leva-me a pensar quantas vezes o traçamos? Quantas vezes paramos para pensar onde realmente queremos ir, onde queremos chegar, no final de cada momento, qual é o nosso destino? Por certo concordará comigo se disser que hoje em dia fazemos quase tudo em “modo automático”. Isto é, circulamos sem pensar para onde vamos, mas chegamos sem saber bem por onde passámos.

Ligamos a viatura e damos por nós a chegar ao trabalho pela manha, saímos ao fim do dia e damos conta estamos na Universidade ou na nossa empresa já prontos para a tal reunião e se bem calha nem nos lembramos qual o caminho que fizemos para lá chegar. Não nos recordaremos por onde passámos, que alterações fizemos no caminho para fugir ao transito, ou ao que quer que seja. O objetivo traçado em “modo automático” referia simplesmente chegar.

Pois na vida, na sociedade ou nos ciclos envolventes onde pertencemos, não deverá ser assim.  Deveremos, em prole da realização pessoal, académica, profissional ou empresarial, ter sempre objetivos, metas bem traçadas. Deveremos parar, refletir e em consciência traçar o nosso rumo ou destino.

Desta forma saberemos perfeitamente qual a estrada da vida que necessitamos de apanhar, faremos também alterações pontuais se for caso disso, mas poderemos monitorizar se estamos na direção correta, se não estamos a perder o rumo. Eventualmente teremos de recorrer a um mapa e uma Bussola, mas isso só servirá para reforçar a confiança em que estamos no bom caminho.

Traçar objetivos, a todos os níveis e para todos os ciclos, é muito importante. É um exercício que deverá ser feito não só no nosso mapa mental, deverá ser passado para o papel e revisto. Uma analise à exequibilidade de cada um, deve ser feita, bem como uma analise de correlação entre objetivos e ciclos para validação até que ponto são compatíveis e se realmente não existirá nenhum que ponha em causa outro.

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Temos de acreditar que chegaremos onde queremos chegar, independentemente do tempo que o caminho demore a fazer e dos obstáculos que apanharemos durante o mesmo. Agora, o que realmente é desaconselhável é tentar começar uma jornada, mesmo que bem apetrechado de material, mapas, bússolas e afins, para um local ou destino (objetivo) que só existe no seu imaginário. A primeira coisa a fazer é desmistificar este ponto, não só com a questão da exequibilidade mas também da fiabilidade que o ponto de chegada terá. É atingível? Existe? Ou especulei, sonhei, contaram-me uma história que acreditei e fiquei com esse destino no meu imaginário?

Em suma, pare para experimentar a sensação de conhecer o seu destino mesmo antes de lá chegar. Prepare-se para a caminhada, que pode ser longa, tire o azimute, escreva as coordenadas e os pontos de referencia. Bem ciente do que eventualmente o poderá esperar, em consciência que o local existe, com tudo preparado …..faça-se á estrada.

“Tudo que você precisa é de ter o plano, o mapa, e a coragem para seguir para o seu destino.”
## Earl Nightingale ##

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About João Farinha

Prof. Dr João Farinha Dean of the Management School at ISLA Santarém – Polytechnic University, President of the Technical-Scientific Council of the Management School, and Member of the General Council of ISLA Santarém – Polytechnic University. He also heads the Projects Development Office, where he promotes institutional innovation and development. Prof. Dr Farinha holds a PhD in Management and a Master’s degree in Marketing from Universidade Europeia, and is currently undertaking post-doctoral research in Management, specialising in Leadership and Knowledge Management, at the University of Beira Interior. With over 30 years of academic and professional experience, he serves as both Lecturer and Programme Director for several key programmes, including the Higher Technical Professional Course (TeSP) in Commercial Management and Sales, the Bachelor’s Degree in Business Processes and Operations Management, and two MBA programmes: the MBA in Commercial Management and Marketing, and the MBA in Strategic Thinking Development. An active researcher, Prof. Dr Farinha collaborates with research units such as GOVCOPP (University of Aveiro) and NECE (University of Beira Interior), and serves on the editorial boards of several esteemed academic journals.
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