“O Reflexo”

Uma das coisas que nos dará mais gozo, mais prazer numa forma generalista, será por ventura observar as paisagens no horizonte disponível em momentos de lazer, descanso e relax. Seja na praia, no campo, nas montanhas, meio rural, litoral ou até urbano.

IMG00538-20120816-1159O que vislumbramos terá certamente a apreciação que o nosso imaginário quer. Sim, os olhos podem ver uma situação real e o cérebro estar a imaginar outra, fazendo “sentir” outras sensações que estão para além da imagem…poderá ter que ver com a descompressão que estamos a viver no momento, com o descanso mental que queremos ter naquele instante ou tantos outros fatores.

Imagine aquela sexta-feira, após uma semana de trabalho, ou estudo (ou ambos) tão intensa que necessita mesmo de descansar…a primeira coisa que virá à cabeça, ao sentar-se naquela esplanada à beira mar, será o relax que o ambiente lhe transmite….é sexta-feira e enquanto toma a sua bebida fresca pensa e imagina o fim de semana que tem pela frente…correto? Já lhe aconteceu? Pois muitas vezes a esplanada onde está não passa da mesma esplanada de sempre, com a mesma vista e com a mesma envolvência, mas o sentido da sua imaginação neste dia está diferente…

Num paralelismo do exemplo para com a vida diária, profissional ou até académica, podemos dizer que as aparências iludem, e muito. Quantas vezes a primeira impressão, a primeira imagem marca uma relação profissional, académica, comercial, social ou empresarial?

Pois é, muitas vezes imaginamos as pessoas como queríamos que fossem, como nos comentaram que seriam, mas esquecemos-mos de dar tempo para realmente conhecer a pessoa em causa, tirar as nossas próprias conclusões e ao contrário fazemos juízos de valor tantas vezes irreversíveis…. é pena não é? Uma coisa é imaginar paisagens e dar-lhe a interpretação que queremos, a outra é fazer isso com as pessoas que têm personalidade própria, caracter, valores…..

Encaramos nesta fase duas “vias perigosas” no que a postura comportamental diz respeito. Por um lado, o que acontece é que as pessoas se escondem por detrás do imaginário de figuras que  inventaram que não correspondem minimamente á sua realidade, por outro lado ficamos presos á primeira imagem ou impressão que tiramos das pessoas.

Pode ser que a atitude a imagem da primeira impressão tenha sido meramente casual, pontual e que a pessoa no seu intimo seja completamente diferente do que representou ser…não saberemos nunca se não dermos espaço e tempo para a pessoa mostrar o que é na realidade.

Não conseguiremos ter boas relações profissionais, sociais ou outras se não formos sempre aquilo que realmente somos, mostrando (ou tentando, se nos derem tempo para tal) a nossa maneira de ser, com os nossos defeitos e virtudes, mostrando o nosso carater, os nossos valores..só dessa forma os outros nos podem julgar corretamente e tirar dai as elações que quiserem.

Viveremos em paz connosco se assim for. Quanto aos outros, que não nos deram tempo de nos mostrar-mos, que simplesmente não lhes interessa essa vertente, quanto a esses já não tenho certeza acerca da sua paz interior.

Pessoas que vivem nessa ilusão que criaram para elas próprias nunca quererão saber do real caracter ou personalidade dos outros pois tem medo que ao darem esse espaço o seu “segredo” seja revelado….Imagine-se….pois é, descobrir que o “mal encarado, barbudo” afinal é um colega porreiro, sensato, ou que a “quadrilheira” afinal até é uma ótima pessoa, e que as conversas tinham sido distorcidas….pois é muito se pode descobrir, e atrevo-me a dizer, de bom, quando as pessoas se dão a conhecer no seu verdadeiro “EU”.

Como se ultrapassa isso numa situação real? Pois tentando aproximação às pessoas, não tirando conclusões precipitadas e não fixando imagens sobre as pessoas que possam não corresponder à realidade….isso faz-se dia a dia…no escritório, academia, empresa ou até na sociedade em geral. A habituação a esta realidade de comportamentos pode ser difícil, mas se olharmos para as pessoas pelo “prima” certo, mais tarde ou mais cedo entenderemos se valerá a pena as consecutivas tentativas de aproximação…Sim, pode não valer a pena se a pessoa em questão, simplesmente não se der ao conhecimento. e assim se passam anos de vida.

“Não é fácil”, diz.se por ai. Até é! Haja bom senso e sentido de integração social, profissional, académica ou outra. Se nos dermos a conhecer de certa maneira faremos com que os outros se sintam capazes e tranquilos para fazer o mesmo. Desta forma por certo tudo será mais fácil!

É preferível refletir o que somos do que espelhar o que querem que sejamos.

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About João Farinha

Prof. Dr João Farinha Dean of the Management School at ISLA Santarém – Polytechnic University, President of the Technical-Scientific Council of the Management School, and Member of the General Council of ISLA Santarém – Polytechnic University. He also heads the Projects Development Office, where he promotes institutional innovation and development. Prof. Dr Farinha holds a PhD in Management and a Master’s degree in Marketing from Universidade Europeia, and is currently undertaking post-doctoral research in Management, specialising in Leadership and Knowledge Management, at the University of Beira Interior. With over 30 years of academic and professional experience, he serves as both Lecturer and Programme Director for several key programmes, including the Higher Technical Professional Course (TeSP) in Commercial Management and Sales, the Bachelor’s Degree in Business Processes and Operations Management, and two MBA programmes: the MBA in Commercial Management and Marketing, and the MBA in Strategic Thinking Development. An active researcher, Prof. Dr Farinha collaborates with research units such as GOVCOPP (University of Aveiro) and NECE (University of Beira Interior), and serves on the editorial boards of several esteemed academic journals.
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