O dia pode estar a correr bem: saúde, sol, amigos, familiares, enfim uma envolvente ideal para se passar um bom dia. Tudo em perfeita normalidade. Eis que há algo que salta à vista. Uma notória alegria de alguém inserido na envolvente. Magnifico, pensamos, alguém está mesmo a disfrutar do momento. A alegria notória em certos momentos, dos mais simples, da vida, leva-nos a pensar que valor daremos às coisas quando chegamos ao estado consciente de contentamento.
Por vezes o excesso de materialismo que envolve o nosso dia a dia, leva-nos a querer sempre mais, e mais, e a elevar as espectativas em relação a tudo e todos. Como infelizmente damos por adquirido muitas coisas, e que não deveríamos, esperamos dos outros e das coisas ou situações ao redor, o mais elevado desempenho, funcionalidade ou verdadeiro e sincero relacionamento, pessoal, social ou profissional, no ciclo que seja.
Quantas vezes, pelos pergaminhos existentes, se espera um desempenho magnifico por parte de um Professor na academia, ajuda cooperação numa investigação ou estudo e inerentes processos, pois se é o melhor dos melhores, nada pode falhar. O mesmo se passa em relação aos colegas de trabalho, sabendo que são os especialistas em certo e determinados tópicos, não esperamos que nos falhem, esperamos que remem na mesma direção e com a mesma cadencia que nós próprios, rumo ao sucesso. Exemplo complementado com a sua empresa, os seus colaboradores, por tê-los escolhido, serão os melhores e nada mais que esperar o melhor dos melhores desempenhos. Mas nem sempre assim. Quando maior é a espectativa maior pode ser a desilusão.
Temos mesmo que nos contentar com o que temos, no momento, e assim preparar a nossa felicidade. A alegria do momento, a satisfação e a vivencia da situação atual. Há quem afirme que: o futuro não existe e que o passado foi o presente daquele momento, logo há que viver, e aproveitar ou disfrutar, o presente contentando-nos realmente com o que temos. Concordo, pese embora com algum planeamento de objetivos, que nos fazem motivar a dar um e mais um passo, mesmo por mínimo que seja o referido planeamento, concordo. Não sofreremos por antecipação e vivenciaremos o momento atual.
Fazer com que alguém fique satisfeito, tentando realizar (dentro dos possíveis) os seus desejos, as suas eventuais necessidades significará contentar alguém. Da mesma forma que tornar alguém alegre, por um qualquer motivo, ou até transmitir tranquilidade, paz e sossego significará contentar esse mesmo alguém. Se fizermos o que está ao nosso alcance para não aborrecer, ofender, abalar ou entristecer alguém, estaremos a tentar contentar o individuo. Preocupações, desassossego, fragilização como exemplos, não farão parte do processo de contentamento de ninguém.
Efetivamente muito se pensa nos outros, é verdade, mas o motivo? Será que, na generalidade, a sociedade atual não se contenta com o que recebe (material ou não) querendo sempre mais, pois as espectativas que se coloca em todos os aspetos, são muito elevada, são dadas como adquiridas.?Na generalidade não se “pede” o necessário e essencial e porque não indispensável, para o dia a dia…há efetivamente exagero nas espectativas. Muitas vezes, caríssimos, saem goradas.
A perspetiva dos outros e para com os outros está entendida, e sempre temos algo a dizer. E quanto a nós próprios? Contentamo-nos com o que temos? Pensamos em ter, obter, adquirir só mesmo o essencial e indispensável quer de bens materiais ou não? Pois não me parece! Salvo melhor opinião, ainda (mesmo assim) há uma maior preocupação em contentar os demais em detrimento de nós próprios. Com isto quer dizer que apaziguamos as coisas ou situações para os demais e quanto a nós colocamos s “fasquias” muito elevadas com espectativas ao mais alto nível, AH pois é. Contamos que tudo corra sempre pelo melhor para nós e que nunca nos vai falhar uma carta no baralho ou uma pedra de domino para jogar. Por vezes as espectativas saem-nos goradas, mesmo vindo de onde não se espera.
Assim é na vida, assim é nos ciclos exemplos, Académico, profissional ou empresarial. Numa abordagem de gestão pessoal e de expectativas, tente refletir na elevação das situações, deveremos visualizar mentalmente até onde devemos esperar algo de alguma situação ou pessoa. Na academia, por exemplo, por certo a única pessoa que deverá estar preocupada, no momento, (reforço – no imediato) com algum tipo de trabalho, somos nós próprios e, como tal, as espectativas colocadas terão de ser balizadas à medida das nossas capacidades de elaboração e desenvolvimento do referido trabalho.
Já ao nível profissional, se nos aparece uma candidatura a uma posição que gostaríamos de concorrer, não deveremos dar por adquirido que a vaga será por nós preenchida pois há muitas variáveis a considerar…não deveremos sair destroçados por uma espectativa mal calculada. Não conte que ganhou um cliente para a sua empresa, só porque o almoço de trabalho correu bem e o feedback foi positivo, haverá reflexão e analise á situação e a resposta pode não ser a mais agradável.
Não obstante, para qualquer um dos exemplos, a solução poderá passar por uma boa avaliação e “colocação” das espectativas para cada situação, e para cada uma independentemente e, mais importante, contentarmo-nos (a nós próprios) com o que temos ou o que conseguimos.
Deverá ser fruto de trabalho e dedicação, como tal, deverá ser celebrado e elevado ao expoente máximo de contentamento, O que temos serão que necessitamos no momento. Deveremos agradecer, realmente, o que temos, o que conseguimos atingir, onde conseguimos chegar. Se estamos é porque conseguimos ultrapassar muita situação e caminhos sinuosos. Isso terá sido por certo.
Se nos contentarmos com o que temos, ao momento, nada mais nos faz falta.
Celebremos!



